Investigação aponta suspeitas de que a retirada de barricadas em comunidades teria sido negociada com integrantes do Comando Vermelho durante a gestão do ex-prefeito Márcio Canella.
O programa Barricada Zero, apresentado como uma das principais iniciativas de combate ao domínio territorial do tráfico de drogas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de informações sobre uma investigação da Polícia Federal envolvendo o ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil).
Segundo informações divulgadas pelo portal Folha Carioca, a Polícia Federal investiga suspeitas de que a retirada de barricadas instaladas por traficantes em comunidades do município teria sido resultado de negociações com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.
De acordo com a publicação, Canella teria participado de articulações para permitir a remoção das estruturas que dificultavam a circulação de moradores e a entrada das forças de segurança em determinadas localidades.
Em contrapartida, segundo as suspeitas relatadas, integrantes do tráfico teriam recebido a promessa de redução das operações policiais nessas regiões, o que poderia favorecer a permanência da organização criminosa nos territórios.
Policial militar teria atuado como intermediário
Ainda conforme as informações divulgadas, as investigações apontam a suspeita de participação do capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa, que teria atuado como intermediário entre representantes da administração municipal e lideranças do tráfico.
Entre os nomes mencionados na reportagem estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e um indivíduo identificado como Soró, apontados como integrantes da organização criminosa.
Programa ganhou projeção política
O Barricada Zero ganhou visibilidade por sua proposta de retirar obstáculos instalados por grupos criminosos em comunidades de Belford Roxo. A iniciativa também foi apresentada publicamente como referência para ações semelhantes no estado do Rio de Janeiro.
Com a divulgação das suspeitas, o programa passa a ser objeto de questionamentos sobre os possíveis métodos utilizados para viabilizar a retirada das barricadas e a eventual existência de acordos com integrantes do crime organizado.
Investigação envolve suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro
Segundo a publicação da Folha Carioca, Márcio Canella foi preso na quinta-feira (15), durante a Operação Unha e Carne, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
As informações divulgadas levantam questionamentos sobre a relação entre agentes públicos e organizações criminosas, especialmente em iniciativas anunciadas como medidas de enfrentamento ao tráfico de drogas.
É importante destacar que as suspeitas relatadas ainda dependem de apuração e comprovação judicial. A existência de investigação ou prisão cautelar não representa condenação definitiva, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.





