
As avaliações são da Associação Comercial de Santos (ACS) e da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). As entidades integram o G50+, grupo da CACB com as associações mais influentes do país.
Em Santos, onde a economia depende do porto, o baque veio no café. Cerca de 80% das exportações do grão passam pelo complexo portuário paulista. “Desde agosto estão sendo embarcados tão somente volumes declinantes de lotes anteriormente contratados. Não tem havido novas vendas com destino aos Estados Unidos”, afirma Mauro Sammarco, presidente da ACS.
No Rio, o cenário é outro. “De modo geral, o reflexo no setor comercial foi limitado, uma vez que o Brasil exporta poucos produtos e serviços para os Estados Unidos nas áreas de varejo e prestação de serviços”, avalia Josier Vilar, presidente da ACRJ. Ele diz estar confiante em uma revisão das medidas a partir das negociações entre os dois governos.
A ACS destaca que, apesar do recuo no café, surgiram novas oportunidades em outras frentes. A carne, também taxada, segue com volumes elevados para destinos alternativos, como o México. Produtos excluídos do tarifaço e relevantes para Santos — suco de laranja e celulose — mantêm embarques regulares.
Outro movimento vem da soja. Com a China reduzindo compras do produto americano, aumentou a demanda pelo grão brasileiro. Entre janeiro e setembro, 30,9 milhões de toneladas saíram por Santos, sendo 85,4% destinadas ao mercado chinês, aponta a ACS.
Para Vilar, o período ainda é curto para medir efeitos globais mais amplos. “Entretanto, no comércio do Rio de Janeiro, os efeitos das medidas tarifárias americanas não foram relevantes até o momento”, ressalta o dirigente da ACRJ.
Há expectativa, segundo o setor, de avanços políticos que possam levar à revisão da taxação nas próximas semanas.




