
Criado em 2021, o GSI tem a função de cuidar da segurança pessoal do governador, do vice-governador e de seus familiares, além da proteção dos palácios e residências oficiais. O órgão também presta apoio de transporte ao Executivo. Seu novo titular, Roberto Leão, foi exonerado da corregedoria da Força Municipal no fim de fevereiro, ocasião em que foi nomeado como assessor chefe na Assessoria de Inteligência da Secretaria especial de Segurança Urbana da capital fluminense.
Já Hakme era o responsável pelo Programa Sentinela, vitrine da gestão de Cláudio Castro (PL) na área de segurança. Anunciado pelo ex-governador, o projeto prevê a compra de mais de 220 mil câmeras com inteligência artificial e outros equipamentos de vigilância, em um investimento de R$ 2 bilhões. A licitação foi iniciada em fevereiro deste ano, mas, até agora, ainda não havia previsão para o início da implantação do sistema.
O assessor era homem de extrema confiança de Castro e, inclusive, o acompanhava em viagens ao exterior, como a realizada em fevereiro à Europa. Na ocasião, um dos objetivos da missão oficial era buscar investimentos na área de segurança pública.
Em 2023, Hakme se envolveu em uma polêmica no governo do estado ao ser beneficiado por um decreto de Castro que lhe garantia uma indenização de R$ 900 mil. A justificativa apresentada foi a de que o valor correspondia a 18 anos sem recebimento de licença-prêmio e a 16 anos sem férias.
Hakme também foi apontado por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, como integrante da “banda podre” da polícia do Rio, chegando a ser denunciado e indiciado pela CPI do Narcotrtáfico da Câmara dos Deputados, em 1999. Segundo o traficante, Hakme, que na época usava o nome de batismo Fernando César Jorge Barbosa, foi acusado de negociar R$ 400 mil e dois veículos, uma Mercedes Benz e um Golf, para libertar um receptador, segundo consta no relatório da CPI do Narcotráfico. Durante seu depoimento, o policial “negou possuir qualquer um desses bens”.
No entanto, o caso não virou processo. À CPI, o comissário aposentado negou qualquer tipo de envolvimento. Ao GLOBO, ele infomou por meio da assessoria, que conseguiu provar que a denúncia era infundada, por isso, o caso contra ele foi arquivado. Em nota, explicou:
“O Ministério Público sequer ofereceu denúncia contra Fernando, por conta da inconsistência das acusações”.
Outras exonerações
Outro que deixou o cargo nesta terça-feira foi o secretário de Governo, Jair Bittencourt, desta vez a pedido. Ele havia sido nomeado poucas horas antes da renúncia de Cláudio Castro (PL), no último dia 23. Embora Castro tenha afirmado que deixou o governo para disputar uma vaga no Senado, a saída foi interpretada por adversários como uma manobra para evitar a cassação. A exoneração foi assinada por Ricardo Couto.
Já pela Secretaria da Casa Civil foi feita a exoneração de José Carlos Guimarães, tio de Edu Guimarães, que ocupava o cargo de assessor na pasta. Tio e sobrinho, assim como Fernando Cezar, têm origem na Polícia Civil. José Guimarães e Hakme são comissários de polícia — o segundo, já aposentado. Em 1995, os dois integraram o Grupo Astra, formado por inspetores experientes que comandavam delegacias. A equipe foi criada pelo então chefe da Polícia Civil, Hélio Luz, apontado como “incorruptível”, com a missão de melhorar os índices de elucidação de crimes.
A pasta exonerou ainda outros quatro nomes: Gilmar Tramontini da Silva, que ocupava o cargo de assessor técnico do Detran-RJ; Alex Costa Almeida e Geraldo Aparecido Moreira, ajudante e chefe de serviço da Direitoria Administrativa, respectivamente, lotados na Loterj; e José Ferreira de Carvalho Neto, ajudante numa Coordenadoria Regional da Fundação Leão XIII.
O que dizem os exonerados
Por nota, a assessoria de Fernando Cezar Hakme informou:
“O policial civil aposentado Fernando Cezar Jorge Hakme recebeu com resignação a notícia de sua exoneração do Governo do Estado. Hakme passou por diversas gestões e, ao longo dos últimos anos, atuou na articulação e no desenvolvimento de projetos centrais da política de segurança do governo de Cláudio Castro.
Entre eles, o Cidade Integrada, voltado à ampliação da presença do Estado em áreas vulneráveis, com destaque para as ações no Pavão-Pavãozinho, além da implementação das câmeras operacionais portáteis, que reforçaram a transparência das ações policiais, e do Programa Sentinela, maior programa de monitoramento urbano da América Latina, que prevê a instalação de mais de 200 mil câmeras com inteligência artificial, reconhecimento facial e leitura de placas”.
Os demais exonerados ainda não se manifestaram.




