
No mar azul de Arraial do Cabo, tartarugas, peixes e corais estão sendo monitorados por pesquisadores em um censo que busca entender como anda a saúde do oceano e de onde vêm esses visitantes. O trabalho é realizado pelo Projeto Costão Rochoso e combina mergulhos, medições e coleta de dados nas praias do município.
Durante o estudo, os animais passam por captura controlada e são submetidos a exames rápidos. No caso das tartarugas, em cerca de 20 minutos, os pesquisadores registram peso, tamanho, coloração e retiram uma pequena amostra da pele para análise de DNA. De acordo com o projeto, desde 2018, pelo menos 500 tartarugas já foram identificadas pelos pesquisadores. Cada animal é fotografado e catalogado a partir de marcas únicas na lateral da cabeça, uma espécie de “impressão digital” que permite o acompanhamento ao longo do tempo.
Na região, as principais espécies de tartarugas observadas têm sido a tartaruga-verde e a tartaruga-de-pente. Ainda segundo o projeto, na maioria dos casos, as tartarugas observadas são juvenis e usam o litoral como área de alimentação por cerca de uma década antes de seguir para locais de reprodução, como a Ilha da Trindade, localizada no Espírito Santo e considerada o principal berçário da espécie no Brasil.
Mas a pesquisa vai além das tartarugas. O estudo também analisa a população de peixes, a coloração dos corais e a presença de organismos como cracas, indicadores importantes das condições ambientais.
Os dados ajudam a medir o impacto da presença humana e as mudanças no ecossistema marinho cabista. Após as análises, os animais são devolvidos ao mar.
Entenda o que atrai diferentes espécies marinhas a Arraial do Cabo
A alta biodiversidade da região está diretamente ligada ao fenômeno da ressurgência, comum em Arraial do Cabo. Esse processo traz águas profundas e frias — que podem chegar a 15°C — ricas em nutrientes para a superfície, favorecendo a vida marinha e influenciando até a coloração azul-clara do mar, característica que atrai turistas de todo o mundo.
Em dezembro de 2025, o portal Fontecerta.com falou sobre o fenômeno na matéria “Por que as praias de Arraial do Cabo e Cabo Frio são tão geladas?”, em que o biólogo Eduardo Pimenta explica os benefícios da ressurgência e como ela ocorre na região.




