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Parkinson: tratamento usa células-tronco no cérebro para repor dopamina

Estudo experimental quer reprogramar células para repor as substâncias degeneradas do cérebro

Por Vitoria Lopes Gomez

 

Pesquisadores têm avançado em uma nova estratégia para tratar a doença de Parkinson ao apostar na reposição de células cerebrais responsáveis pela produção de dopamina (essencial para o controle dos movimentos). A abordagem faz parte de uma linha de estudos em medicina regenerativa e ainda está em fase experimental.

A técnica consiste em criar, em laboratório, neurônios capazes de produzir dopamina e implantá-los diretamente no cérebro dos pacientes. Essas células são obtidas a partir de amostras de sangue de doadores, que passam por um processo de reprogramação para se tornarem células-tronco pluripotentes induzidas (iPS). Esse tipo celular tem potencial para se transformar em diferentes tecidos do organismo.

No caso do Parkinson, os cientistas direcionam essa transformação para gerar neurônios dopaminérgicos, justamente os que são perdidos com o avanço da doença.

Após o preparo, milhões dessas células são inseridas no cérebro por meio de um procedimento cirúrgico. A intervenção envolve a introdução de uma cânula em uma região profunda chamada putâmen, área diretamente ligada ao controle motor e afetada pela degeneração neuronal típica do Parkinson. A expectativa é que os novos neurônios passem a produzir dopamina de forma contínua, compensando a perda natural do organismo.

localização da "substância negra" no cérebro, responsável por origem da doença de parkinson
Por enquanto, tratamento busca aliviar os efeitos do Parkinson – (Imagem: Dall-E/Danilo Oliveira/Olhar Digital)

Tratamento para o Parkinson ainda é experimental

Resultados iniciais de um estudo conduzido no Japão indicam o potencial da abordagem:

  • Sete pacientes, com idades entre 50 e 70 anos, foram acompanhados por dois anos após o transplante;
  • Exames mostraram aumento médio de 44% nos níveis de dopamina no cérebro;
  • Além disso, houve melhora nos sintomas motores, como tremores e rigidez, com ganhos médios de cerca de 20% – chegando a 50% em um dos participantes.

Olhar Digital já havia dado os detalhes da pesquisa neste link.

Apesar dos avanços, os especialistas ressaltam que a técnica ainda não representa uma cura. Isso porque o Parkinson envolve alterações mais amplas no cérebro, não se limitando apenas à perda de neurônios produtores de dopamina. Por enquanto, o tratamento busca amenizar parte dos efeitos da doença.

A terapia tem sido testada em pacientes com quadros mais avançados, especialmente aqueles que já convivem com a doença há anos e apresentam resposta limitada à levodopa, principal medicamento utilizado atualmente.

Os próximos passos incluem a ampliação dos testes clínicos para um número maior de participantes, com o objetivo de validar a eficácia e a segurança do método em larga escala. Caso os resultados se confirmem, a técnica pode abrir caminho para novas opções de tratamento no futuro.

 

Fonte https://olhardigital.com.br/2026/04/22/medicina-e-saude/parkinson-tratamento-usa-celulas-tronco-no-cerebro-para-repor-dopamina/

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