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Operação Sinalagma prende delegada suspeita de repassar informações sigilosas ao PCC

Ação da Polícia Civil de Pernambuco também prendeu suspeito apontado como liderança da facção; investigação identificou movimentações financeiras superiores a R$ 14 milhões

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, nesta quinta-feira (15), a Operação Sinalagma para desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e corrupção de agentes públicos. Entre os presos está a delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, suspeita de repassar informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em troca de vantagens financeiras.

A operação cumpriu três mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Pernambuco, Pará, São Paulo e Distrito Federal. Também foram determinadas medidas judiciais para o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros.

Segundo as investigações, o grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões por meio de operações financeiras suspeitas, empresas e contas bancárias de terceiros.

Delegada é suspeita de receber R$ 50 mil

De acordo com as apurações, Maria Virgínia teria fornecido informações restritas de sistemas de segurança pública e oferecido proteção institucional a integrantes da facção criminosa.

A investigação identificou conversas e registros de uma transferência bancária de R$ 50 mil, apontada como possível vantagem financeira relacionada ao esquema. A suspeita também teria mantido um relacionamento com Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como liderança do PCC na região de Muro Alto, em Ipojuca, no litoral sul pernambucano.

A delegada foi presa em Brasília. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em sua residência e no gabinete que ocupava na sede da Polícia Civil do Pará, em Belém.

Suspeito de liderar o PCC foi preso no Recife

Outro alvo da operação foi Renato Henrique do Carmo, localizado em um edifício de alto padrão no Cais José Estelita, na área central do Recife.

Segundo a polícia, ele já havia sido preso em janeiro de 2025, suspeito de atuar na expansão do PCC na região de Ipojuca. Na ocasião, teria utilizado uma identidade falsa. Após ser colocado em liberdade mediante medidas cautelares, voltou a ser investigado.

A análise de dados extraídos de seu celular, com autorização judicial, ajudou os investigadores a identificar possíveis integrantes e colaboradores da organização criminosa.

Investigação apura lavagem de dinheiro e corrupção

As apurações começaram em janeiro de 2025 e identificaram indícios de uma estrutura criminosa com atuação interestadual. Segundo os investigadores, o grupo utilizaria documentos falsos, empresas formalmente constituídas e contas de terceiros para ocultar a origem dos recursos e dissimular o patrimônio.

Além de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, a investigação apura possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica.

A operação foi coordenada pela 1ª Delegacia de Repressão ao Narcotráfico de Pernambuco, com apoio do Ministério Público de Pernambuco e do Pará, além das forças policiais de São Paulo e do Distrito Federal.

As suspeitas contra os investigados ainda serão apuradas no âmbito judicial. A responsabilização criminal depende da conclusão do processo e de decisão da Justiça.

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