Cultura

Ministério da Cultura e Instituto Cultural Vale apresentam

“Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia”: Itaguaí recebe, em março, projeto que celebra legado de Guimarães Rosa, com apresentação teatral e imersão cultural grátis

Em comemoração às sete décadas da obra-prima do renomado escritor mineiro, com direção de Amir Haddad e atuação de Gilson de Barros, o projeto viaja por cidades do Grande Rio com exposição e rodas de conversa, além de levar teatro de graça

Em 2026, um dos maiores monumentos da literatura mundial completa 70 anos de publicação, o romance Grande Sertão Veredas do escritor mineiro, João Guimarães Rosa. Para celebrar a data, o projeto “Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia” propõe uma ocupação artística e reflexiva que conecta o sertão mineiro ao humano universal. O coração da iniciativa é a trilogia teatral interpretada por Gilson de Barros (indicado ao Prêmio Shell) e dirigida pelo mestre Amir Haddad, que aposta na força da palavra e na interpretação narrativa para dar vida ao universo de Riobaldo. As apresentações das peças que compõem a trilogia, acontecem gratuitamente em escolas e centros culturais, proporcionando acesso ao teatro e debates imersivos na obra discutida.

O projeto “Grande Sertão: Veredas – 70 anos de Travessia” é apresentado pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura).

Programação completa

ITAGUAÍ

Dia 03/03

14h00Espetáculo: “Riobaldo”

17h00Roda de Conversa: Conversando com Guimarães Rosa Local: Centro de Memória dos Povos Originários e Tradicionais da Costa Verde

 

Dia 04/03 

14h00Espetáculo: No Meio do Redemunho

Local: Colégio Estadual José Maria de Brito Brasil Japão

18h00Oficina: “Da prosa rosiana à dramaturgia”

Local: Centro de Memória dos Povos Originários e Tradicionais da Costa Verde

 

Dia 05/03 

14h00 Espetáculo: “O Julgamento do Zé Bebelo”

Local: CIEP Professor João Canuto

 

*Todas as atividades em Itaguaí serão gratuitas. 

RIOBALDO © Renato Mangolin (reduzido) 044

Compreendendo a trilogia: as veredas do universo de Guimarães

O projeto apresenta três recortes dramatúrgicos distintos, que podem ser vistos de forma independente ou conjunta, que exploram diferentes aspectos da obra. Sendo o primeiro, intitulado “Riobaldo”, que se concentra nos relacionamentos amorosos presentes no romance, especialmente o vínculo entre Riobaldo e Diadorim, apresentando ao público uma abordagem clássica da temática amorosa na literatura brasileira. Já o  segundo espetáculo, “No Meio do Redemoinho”, instiga os espectadores na dialética entre o bem e o mal, Deus e o diabo, esse é o tema central. Acompanhando as reflexões do protagonista, Riobaldo, seus conflitos morais e psicológicos, e sobre um suposto pacto com o diabo, feito em sua juventude. E o “O Julgamento de Zé Bebelo”, que apresenta um panorama do sistema de jagunços, que existiu no sertão de Minas Gerais no final do século XIX e início do século XX.

“Riobaldo e Diadorim eram jagunços, e o julgamento oferece uma análise da ética nesse sistema. Esses três recortes proporcionam uma visão abrangente do universo de Grande Sertão: Veredas. Diferente de montagens anteriores, a proposta estética de Haddad elimina artifícios cênicos para focar no essencial: o ator-narrador e a oralidade roseana. O sertão é do tamanho do mundo, e Riobaldo somos todos nós, com todas essas nuances e dualidades, humanos, que acertam e erram, não necessariamente nesta ordem, mas vivemos, persistimos, resistimos”, pontua Gilson de Barros, ator solo dos três espetáculos.

Segundo Gilson de Barros, a ideia do projeto de criar um espetáculo para se aprofundar e conhecer melhor a obra de Guimarães Rosa, começou a ser concebida entre 2015 e 2016. “Na época, eu estava em processo de aposentadoria da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde exercia a função de diretor do Parque das Ruínas e atuava na área de gestão pública. Paralelamente, sempre me dediquei à atuação e almejava, após a aposentadoria, desenvolver um projeto que me permitisse viajar e expandir meus horizontes. Foi então que surgiu a ideia de adaptar a obra “Grande Sertão: Veredas”, um livro que eu já conhecia e apreciava. O ator e idealizador do projeto revela ainda que o processo de dramaturgia se estendeu até 2019, quando a produção de uma primeira versão, que foi apresentada a diversos grupos de leitura e amigos, e em eventos literários, lhe impulsionou a seguir em frente com a ideia após boas críticas:

“Participei de um evento na Biblioteca Parque, e tive a oportunidade de receber críticas de dois renomados acadêmicos: Nélida Piñon e Antônio Cícero (in memoriam). As críticas foram construtivas e me impulsionaram a amadurecer a adaptação. Foi aí que apresentei o projeto ao diretor Amir Haddad, que demonstrou grande entusiasmo. A colaboração resultou na estreia da primeira peça, “Riobaldo”, em 2020, intitulada “Riobaldo, Recorte dos Amores”. Embora não estivesse nos meus planos iniciais, o sucesso da peça, me inspirou a ampliar a pesquisa para outros recortes. Assim, surgiu a segunda peça, “No Meio do Redemunho”, estreando em 2023. Em seguida, a terceira peça, “O Julgamento de Zé Bebelo”, estreou em 2024. Essa é, portanto, a cronologia da trilogia”. Diz Barros.

Trajetória de Sucesso do Projeto 

Desde a concepção em 2015 e estreia em 2020, o projeto já percorreu importantes palcos brasileiros e internacionais. Vencedor do Prêmio Arcanjo de Cultura, o espetáculo reafirma a vitalidade de Guimarães Rosa, transformando a “fala do povo” em uma experiência estética que emociona tanto em grandes centros quanto em cidades do interior do Brasil. Indicado ao Prêmio Shell 2022 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia) por “Riobaldo”. Tendo sido reconhecida a trilogia, com “No Meio do Redemunho” e “O Julgamento de Zé Bebelo”, com o Prêmio Arcanjo Especial. No Brasil, a trilogia realizou 647 apresentações em 68 cidades, com aproximadamente 14 mil espectadores. A circulação passou por diversos estados, incluindo São Paulo (capital e interior), Minas Gerais (Belo Horizonte e várias cidades do interior), Rio de Janeiro (capital e municípios como Macaé, Campos, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu e Valença), além de Brasília, Porto Alegre e Curitiba.

Na circulação internacional, foram realizados 10 espetáculos: 6 em Portugal — sendo 5 em Lisboa e 1 no Porto, com público aproximado de 600 espectadores — e 4 na Colômbia, em Bogotá, durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo), alcançando cerca de 2 mil espectadores. As apresentações consolidam o projeto como um importante vetor de difusão da literatura brasileira no exterior.

MiniBio

Amir Haddad (direção) – Renomado diretor e ator brasileiro, fundador de grupos fundamentais do teatro nacional, como ‘A Comunidade’ e ‘Tá na Rua’. Conhecido por sua contribuição à cena brasileira, mantém intensa atividade artística e pedagógica, Doutor Honoris Causa pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro  em 2019, referência para a classe artística, transita por todas as formas de arte contribuindo com o teatro e o audiovisual.

Gilson de Barros (ator e dramaturgo) – Formado em Artes Cênicas pela UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, soma mais de 25 espetáculos no currículo. Trabalhou com diretores como Augusto Boal, Domingos Oliveira e Amir Haddad, com quem desenvolveu a Trilogia Grande Sertão: Veredas. Premiado e indicado em importantes festivais e premiações nacionais, desenvolve trabalho de pesquisa teatral contribuindo com o conhecimento acadêmico para as artes.

Ficha Técnica

A partir do livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa

Tradução, idealização e atuação: Gilson de Barros

Direção: Amir Haddad

Cenário: José Dias

Figurinos: Karlla de Luca

Iluminação: Aurélio de Simoni

Programação visual: Josué Ribeiro

Fotos: Renato Mangolin

 

Direção de Produção: Júlio Luz

Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa

Controller Financeira: Letícia Napole – Vianapole Arte e Comunicação

Mídias Sociais e Comunicação:Copa Comunicação

Realização: Barros Produções Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal

Patrocínio: Instituto Cultural Vale, através da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet

 

 

[Link 1 – Trecho do espetáculo]

https://drive.google.com/file/d/1hhbqIkAQIsJJWdbTLzx9UmjB3xg2yWg0/view?usp=drive_link

[Link 2 – Trecho do espetáculo]

https://drive.google.com/file/d/1HKS683fdAuZhpjU5NBYrdv12gfSJwKmS/view?usp=drive_link

Fotos de cena disponíveis nos links

 Riobaldo – Crédito Renato Mangolin

https://drive.google.com/drive/folders/1TM4Un5kPsQfK_0ACO7qcKCCbCJyw7YfC?usp=sharing

 Diabo na rua, no meio do redemunho – Crédito Renato Mangolin

https://drive.google.com/drive/folders/1H0gOmlYf7ZTdTbwZY-fxArQUtCcXEWuL?usp=sharing

 

 

O Julgamento de Zé Bebelo – Crédito Renato Mangolin

https://drive.google.com/drive/folders/1Yr71OHCvUiPZXW8fdd04O4VpH5Pq1Yt5?usp=sharing

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