Rio de Janeiro

Milhares de peixes mortos aparecem na Praia da Barra; biólogos apontam contaminação da água e descarte irregular

Mortandade de corvinas no Posto 6 mobilizou a Comlurb e levantou alerta ambiental; especialistas apontam pesca predatória e poluição como principais hipóteses

Milhares de peixes da espécie corvina foram encontrados mortos na manhã desta segunda-feira (9) na altura do Posto 6, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. A cena chamou a atenção de banhistas e moradores, que se depararam com os animais espalhados pela faixa de areia e registraram imagens que rapidamente circularam nas redes sociais, gerando preocupação com o impacto ambiental do episódio.

Imagens aéreas feitas pelo Globocop mostraram funcionários da Comlurb atuando na limpeza da praia e recolhendo os peixes ao longo da orla. Segundo relatos de frequentadores, a quantidade de animais mortos impressionou e levantou dúvidas sobre a qualidade da água e possíveis riscos ambientais.

Segundo biólogos, duas hipóteses concentram as principais linhas de investigação: o descarte irregular de peixes após uma operação de pesca e a contaminação da água por agentes químicos ou esgoto.

Para o biólogo Marcelo Szpilmann, diretor-presidente do AquaRio, a mortandade não é um evento comum e pode estar associada a práticas de pesca predatória ou acidental, especialmente envolvendo embarcações do tipo traineira.

“Em operações de pesca industrial, como as realizadas por traineiras que capturam sardinha para servir de isca na pesca de atum ou bonito, outras espécies acabam presas às redes. Quando esses peixes não têm valor comercial para a embarcação, podem ser descartados ainda no mar”, explicou.

Segundo o especialista, espécies como a corvina vivem próximas ao fundo do oceano e são frequentemente capturadas de forma não intencional nesse tipo de atividade. Após o descarte, os animais morrem, os corpos se inflam e acabam sendo levados pelas correntes marítimas até a praia.

“Esse tipo de descarte representa um impacto ambiental grave e inaceitável” disse.

Outra possibilidade levantada é a de contaminação da água por produto químico ou lançamento irregular de esgoto. O biólogo Marcelo Mello aponta que despejos provenientes de embarcações ou falhas no tratamento de esgoto podem provocar a redução do oxigênio na água, levando os peixes à morte por asfixia.

“O esgoto sanitário provoca aumento da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), o que reduz o oxigênio disponível na água. Sem oxigênio, os peixes morrem. Considero essa hipótese bastante plausível, mas é necessária uma investigação mais aprofundada”, afirmou.

Até o momento, não houve confirmação oficial sobre a causa da mortandade.

Fonte https://diariodorio.com/milhares-de-peixes-mortos-aparecem-na-praia-da-barra-biologos-investigam-contaminacao-da-agua-e-descarte-irregular/

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