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Macron condena atos sediciosos e restringe protestos na França após onda de violência

Presidente francês afirma que manifestações convocadas por sindicatos poderão ocorrer, mas com trajetos alternativos para proteger comércios e prédios públicos. Governo reforça segurança após saques e confrontos registrados em 17 de outubro.

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) que manifestações organizadas por entidades sem legitimidade reconhecida pelas autoridades serão proibidas nos próximos dias. A medida ocorre após uma onda de violência, saques e depredações durante protestos realizados no país em 17 de outubro.

Segundo Macron, manifestações convocadas por sindicatos poderão ser autorizadas, mas as autoridades poderão determinar trajetos alternativos para proteger estabelecimentos comerciais, prédios públicos e áreas centrais das cidades.

Após uma reunião com integrantes dos serviços de inteligência e autoridades do governo, o presidente afirmou que a prioridade é restabelecer a ordem pública e impedir que os episódios de violência se repitam no próximo sábado (24).

Macron acusa grupos de extrema esquerda

Durante o pronunciamento, Macron classificou parte dos acontecimentos do último fim de semana como atos políticos e “sediciosos”, atribuindo-os a grupos organizados de extrema esquerda que, segundo ele, pretendiam desestabilizar a República.

O presidente também diferenciou essas ações dos crimes de vandalismo e saques, defendendo rigor contra os responsáveis por ambos os tipos de ocorrência.

As manifestações de 17 de outubro reuniram estudantes, trabalhadores e pessoas insatisfeitas com o custo de vida e as condições dos serviços públicos. Em diferentes cidades, atos inicialmente ligados a reivindicações sociais terminaram em confrontos, ataques a edifícios públicos e saques a estabelecimentos comerciais.

Um carro arde na Praça da República, a 17 de outubro de 2026. AP Photo/Thibault Camus

Governo reforça segurança para o sábado

As autoridades francesas estão preparando uma operação de segurança reforçada para o próximo fim de semana. A mobilização ocorre diante da previsão de novas manifestações de estudantes, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos, conhecido por protestos contra o custo de vida e a perda do poder de compra.

Em Lyon, as autoridades já proibiram manifestações previstas para sábado. Em Paris, organizadores de novos atos também enfrentam restrições, enquanto comerciantes adotam medidas preventivas para proteger lojas e vitrines.

Macron convocou um novo Conselho de Defesa para sexta-feira (23), quando deverão ser discutidas medidas adicionais de segurança.

Estudantes serão recebidos pelo governo

Apesar do endurecimento das restrições, o governo francês também anunciou uma iniciativa de diálogo. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu deverá receber, na segunda-feira (26), representantes de estudantes, estudantes do ensino médio, professores, sindicatos, organizações patronais, autoridades locais e parlamentares.

A reunião pretende discutir as reivindicações apresentadas durante os protestos, especialmente as demandas relacionadas à educação e às condições de vida dos jovens.

A crise ocorre em um momento de pressão sobre o governo francês, que enfrenta críticas pela resposta inicial aos distúrbios e pela dificuldade de conciliar o direito à manifestação com a proteção da população e do patrimônio público.

Ao anunciar as novas medidas, Macron reconheceu falhas na antecipação da mobilização do dia 17 e cobrou respostas dos serviços de inteligência sobre a dimensão da violência registrada.

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