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Macaé | Galeria Hindemburgo Olive celebra o protagonismo feminino com a mostra “Carne, Raiz e Memória”

Jornalista: Janira Braga

A programação de março de 2026 da Galeria Hindemburgo Olive será marcada pela força e sensibilidade da exposição coletiva “Carne, Raiz e Memória”, realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A abertura oficial aconteceu nesta segunda-feira (23), na sede da galeria, localizada na Avenida Rui Barbosa, nº 780, Centro, reunindo público, artistas e apreciadores das artes visuais. A mostra tem curadoria de Gerson Dudus.

Com visitação aberta de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h, a exposição apresenta obras que investigam o corpo feminino como território simbólico, orgânico e político. A mostra reúne trabalhos das artistas Luanny Vidal e Roberta Pimentel, em uma proposta que atravessa pintura, escultura e instalação, estabelecendo diálogos entre identidade, memória e experiência feminina.

– “Carne, Raiz e Memória” reafirma a importância de espaços culturais que promovem a pluralidade de vozes e incentivam a reflexão sobre questões contemporâneas. Ao ocupar a galeria com obras que tratam de emoção, identidade e pertencimento, a exposição transforma o espaço expositivo em um território de escuta, sensibilidade e resistência – comentou a secretária de Cultura, Waleska Freire.

Corpo como matéria viva
Nas pinturas a óleo sobre tela e esculturas de Luanny Vidal, o corpo surge como matéria pulsante — fragmenta-se, sente e se transforma. Carne e emoção revelam uma identidade em constante movimento, atravessada por vivências íntimas e cotidianas.

Segundo a artista, suas obras têm caráter autobiográfico.

“Exploro meu corpo físico, as emoções que me atravessam e meu olhar sobre o cotidiano sutil. Espero que as pessoas percebam a crueza das emoções que compartilhamos enquanto humanos, ao mesmo tempo as especificidades que transpassam um corpo feminino em situações cotidianas e que afetam o psicológico e a própria imagem da mulher sobre si”, afirma.

A proposta de Luanny encontra eco no próprio conceito da mostra, que convida o público a refletir sobre as marcas — físicas e simbólicas — inscritas no corpo feminino ao longo da história.

Para a artista, integrar uma exposição dedicada ao protagonismo feminino amplia o alcance dessas narrativas e fortalece o debate.

“É levar ao mundo outros pontos de vista sobre ser, sobre estar no mundo enquanto mulher. É importante para a sociedade ouvir essas vozes femininas diversas e se sensibilizar em relação às nossas demandas. Ninguém perde, todos crescem”, destacou.

Ela acrescenta que suas obras dialogam com essa proposta ao expor de maneira visceral emoções, contradições e o desejo de reconhecimento enquanto artista. “Levo a público obras tão íntimas que revelam o desejo de ser vista”, comenta Luanny.

Processos do inconsciente
Ao lado de Luanny, a artista Roberta Pimentel apresenta trabalhos em óleo sobre tela, técnica mista, esculturas e instalações, ampliando a discussão proposta pela coletiva ao explorar diferentes linguagens e suportes.

Na pesquisa de Roberta Pimentel, o corpo desloca-se para o campo do arquétipo e processos do inconsciente. Figuras instintivas e estados de reconstrução afirmam o feminino como força lúcida — presença que não se permite diluir, que reconhece seus limites e reorganiza o próprio território.

Segundo Roberta, ao trazer o corpo feminino para esse campo simbólico, a discussão ultrapassa a dimensão social e alcança algo estrutural, que atravessa a própria existência.

“A mulher aparece como bruxa, mulher-animal, mulher-bicho criativo, útero, corpo que se reconhece — mulher que se descobre em múltiplas versões e maneiras de existir, como força consciente”, afirma.

Esse olhar revela memórias pessoais, do inconsciente coletivo e ancestrais, marcas históricas e potências instintivas que habitam a psique. “Corpo e psique são indissociáveis”, destaca. Para a artista, a reconstrução do feminino está diretamente ligada à lucidez.

“Lucidez, nesse caso, se refere à luz de cada arquétipo como um potencial. É reconhecer, reorganizar e transformar em consciência, gesto, presença e permanência”, acrescenta.

Ao refletir sobre a mensagem que deseja compartilhar com o público, Roberta reforça que o feminino precisa ser compreendido como força lúcida.

“O corpo da mulher não é fragilidade nem objeto, mas território consciente, memória viva e potência em movimento. Existe dor, exaustão e violência estrutural, mas existe também decisão, instinto, interrupção e reorganização”, atesta.

A artista também chama atenção para o significado político do Dia Internacional da Mulher.

“Não é um gesto comemorativo vazio. É um dia político. É sobre presença corpóreo-psíquica e energética. É sobre conquista e permanência”.

Para ela, quando corpo e psique deixam de ser dissociados, a liberdade deixa de ser ideia e passa a se manifestar como prática, gesto, escolha e existência no mundo.

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