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Ícone modernista do Centro, Edifício Aliança da Bahia renasce e busca inquilino à altura

Erguido no início dos anos 60 para abrigar a centenária Companhia de Seguros Aliança da Bahia, o prédio de 15 andares passou por um retrofit de alto padrão e volta a brilhar no mundo corporativo do Rio

Quando o arquiteto francês Alfred Agache apresentou, no final da década de 1920, o ousado Plano de Remodelação do Rio de Janeiro, a cidade respirava ares de virada de século. Encomendado pelo então prefeito Antônio Prado Júnior, o projeto – conhecido como Plano Agache – previa uma ampla reconfiguração urbana para a área central e, em especial, para a esplanada resultante da demolição do saudoso Morro do Castelo, primeiro núcleo de ocupação da cidade, removido em 1922. Mais do que abrir avenidas e alinhar quarteirões, Agache trouxe ao Rio a estética modernista que começava a ganhar o mundo. Inspirado no estilo art déco, o francês pensava a cidade como um organismo vivo. Praças, avenidas e jardins seriam os pulmões; ruas, artérias que fariam circular a vida até o coração, o Centro; esgotos, o aparelho digestivo. Para ele, uma cidade saudável dependia do funcionamento harmônico de cada uma dessas partes, numa metáfora que conectava urbanismo e metabolismo humano.
Esse novo traçado redesenhou a antiga esplanada do Castelo e abriu caminho para a arquitetura moderna brasileira. Nas décadas seguintes, a região se tornou laboratório de grandes nomes: o Ministério da Educação e Saúde (atual Palácio Capanema), projetado por Lúcio CostaOscar Niemeyer e equipe, com consultoria de Le Corbusier, e a sede da Associação Brasileira de Imprensa, de Marcelo e Milton Roberto, consolidaram o modernismo no Brasil. Foi ali, no quadrilátero formado pela Avenida Graça Aranha, Rua Araújo Porto Alegre e adjacências, que a capital federal recebeu edifícios que dialogam com os princípios de Agache e permanecem como marcos de uma era de ouro que parece estar perto de retornar, com tantos projetos de revitalização do Centro que agora começam a gerar resultados. Entre eles está o Edifício Aliança da Bahia, um exemplar raro que acaba de passar por um minucioso processo de restauração e volta a brilhar no Centro.
Um dos destaques da revitalização está no imponente pórtico restaurado, além da instalação de uma nova escultura na esquina — Foto: Divulgação

Um gigante modernista de travertino

Erguido entre 1957 e 1961 para sediar a Companhia de Seguros Aliança da Bahia, a mais antiga seguradora do país, o prédio de 15 andares ocupa um terreno central – quarteirão inteiro – da antiga Esplanada do Castelo, definido pelo próprio plano de Agache. Projetado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, a edificação é um capítulo especial da arquitetura modernista carioca, marcada por panos de vidro, brises metálicos e revestimento em mármore travertino que percorre todas as fachadas. Um luxo renascido das cinzas, à semelhança do que vem se pronunciando com diversos outros ícones que estão passando por restauro na região central; do Edifício A Noite ao Automóvel Clube; do futuro Museu do Café na Ouvidor à Igreja da Lapa dos Mercadores ou ao Museu de Belas Artes, ou mesmo a Sede do Iphan e o próprio Capanema.

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