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Garotinho acusa Claudio Castro de roubar mais que Sergio Cabral e de não mandar no Estado

Ex-governador listou casos de corrupção na Educação, Cedae e na Segurança. Chamou Eduardo Paes de maquiador e que virá candidato mesmo sem o apoio de Bolsonaro.

De sua casa em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, o ex-governador Anthony Garotinho disparou sua metralhadora de denúncias contra o governador Claudio Castro (PL) e contra o prefeito Eduardo Paes (PSD), adversários no pleito do ano que vem. Garotinho é pré-candidato pelo Republicanos e só virá para a disputa caso o ex-secretário de Transporte, Washington Reis (MDB), não fique inelegível.
Ele afirmou que Castro terceirizou a administração do Estado para um “consórcio” de deputados comandados pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e já envolvido em vários casos de corrupção e de resolver crimes com a ajuda do Comando Vermelho. Afirmou ainda que Eduardo Paes repetiu a manobra que fez quando deixou a prefeitura pela primeira vez. “Contraiu um empréstimo de R$ 3 bilhões e vai deixar para o próximo prefeito pagar”.

DIÁRIO DO RIO: O senhor se lançou pré-candidato ao Governo Estadual. Qual o principal motivo de o senhor querer voltar, após 22 anos, a ocupar a principal cadeira do Palácio Guanabara?

Garotinho: Em momento algum eu disse que é um desejo pessoal. Eu afirmei que, se Washington Reis (ex-secretário de Transporte do Estado) não puder, por qualquer motivo, disputar a eleição, eu não descarto a possibilidade de disputar, porque entendo que os nomes colocados são de pessoas que, com todo respeito, não tem capacidade para enfrentar a difícil situação econômica, de segurança e de desordem administrativa que o Estado do Rio vive hoje.

DDR: O Washington Reis diz que vem candidato a governador com o apoio da família Bolsonaro que, por sua vez, disse a Claudio Castro que não gostou da exoneração do ex-secretário de Transporte e adiantou que não apoiará Rodrigo Bacellar, o candidato do governador. O Washington Reis não vindo, o senhor tem a garantia que a família Bolsonaro vai apoiar o senhor? Não o apoiando, o senhor viria candidato mesmo assim, mas com um discurso de Centro e não de perfil conservador?

Garotinho: Minha candidatura não está condicionada ao apoio de ninguém. Apenas ao fato que eu dei a milha palavra ao Washington Reis que só me lançaria ao pleito se ele não viesse candidato e eu sou uma pessoa que cumpro o que eu trato. A minha candidatura será, como sempre foi, uma candidatura popular, marcadamente conhecida pelo desenvolvimento com justiça social.
Eu sou um conservador. É diferente de ser uma pessoa de extrema direita. A minha convergência com a família Bolsonaro se dá no campo dos valores. Eu sou cristão, como todo mundo sabe. Eu sou contra uma série de políticas que foram implementadas durante estes mandatos do governo do estado, como Sergio Cabral, e acho que o Estado hoje está sem rumo. Precisa de uma liderança que tenha experiência, que tenha sido bem sucedido na administração do Estado. Eu saí com aprovação de 80% de bom e ótimo. Prova disso, foi a eleição da Rosinha no primeiro turno e a minha vitória contra o Lula na eleição presidencial aqui no Rio, o único no Brasil.

DDR: Qual avaliação que o senhor faz da gestão do atual governador Claudio Castro?

Garotinho: O Claudio Castro finge que é governador. Na verdade, quem governa o Estado é um consórcio de deputados liderados pelo Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa. O Castro chegou ao cargo tendo sido apenas vereador na cidade do Rio. Não tinha experiência administrativa e nem política para lhe dar com a complexidade que é um governo estadual. Então, ele terceirizou a administração e fez isso mal.
O que observamos hoje na Segurança Pública é um pacto entre autoridades estaduais e o Comando Vermelho. Isso é muito ruim para o Estado. Como prova cito o episódio das armas furtadas no quartel de Barueri, em São Paulo, e que o Exército descobriu que estavam na Rocinha. Em ação conjunta, o Exército cercaria a comunidade e a PM entraria para resgatar as armas. O Estado não quis e viabilizou a entrada de dois oficiais do Exército no presídio para negociar com chefes do Comando Vermelho e as armas foram entregues, dentro de um carro abandonado, em Jacarepaguá, sem que ninguém fosse preso.

DDR: A aliança do Comando Vermelho é com as autoridades da Segurança ou com o governo como um todo?

Garotinho: A infiltração do tráfico e de outras organizações criminosas no seio da polícia sempre existiu em qualquer governo e em todos os estados do país. Mas eu digo que aqui no Rio a situação subiu de patamar. Aqui são autoridades que, infelizmente, ocupam postos estratégicos de governo. É por isso que as indicações para os cargos na área são muito disputados e entregues à Alerj. Você deve se lembrar da guerra que foi para indicar os nomes dos comandantes das policias Civil e Militar.
Os presídios do Rio se tornaram uma espécie de escritório de negócios do crime, especialmente do Comando Vermelho. Dali partem todo tipo de ação, como de um acordo que eles fizeram para não ter nada durante o G20; o assassinato dos médicos na Barra da Tijuca. O CV que prendeu, julgou e matou os criminosos. Nenhuma autoridade colocou as mãos nos assassinos e nem no chefe deles. Se o Governo Federal tivesse que intervir no Estado do Rio agora, a maior urgência seria na área da Segurança. Está um caos.
Outro ponto é a ausência de fiscalização dos orgãos responsáveis do combate ao crime. Todo mundo sabe na cidade do Rio quem são os empresários que lavam dinheiro para o CV nos postos de gasolina do Estado. Só no ano passado foi R$ 1 milhão. Porque ninguém toma providência?

DDR: E nas outras áreas, como está a situação?

Garotinho: A Secretaria de Educação foi entregue ao Rodrigo Bacellar (Presidente da Alerj). A subsecretária é indicação dele e é quem opera o setor, junto com o seu filho, que é assessor do pai na Alerj. A corrupção lá é gigantesca. No final do ano passado, eles iriam fazer uma dispensa de licitação de R$ 460 milhões para a compra de livros que já tinham sido fornecidos pelo Governo Federal. O caso vazou, foi parar na televisão e iria virar e eles cancelaram a ação. No período entre o Natal e o Ano Novo, a secretaria comprou e pagou R$ 70 milhões na compra de livros. É tanta irregularidade, que só a Educação daria uma matéria enorme.
Na Cedae ocorreu o maior dos escândalos. As empresas ganharam uma licitação pra fazer a distribuição de água. A produção continuou com a Cedae, ou seja, o Estado. Este deu um desconto de 22% para uma empresa na compra da água tratada, através de deferimento, que é na prática dizer que você não precisa pagar agora, só depois. Isto constituiu uma dívida de R$ 800 milhões e a empresa afirma agora que não vai pagar. E a Cedae troca esta dívida por obras da própria Cedae com prazo de 30 anos para executa-las. Ou seja, é um escândalo atrás do outro.
Recentemente, a Cedae foi notificada por um cidadão que teve seu terreno desapropriado em 1979 para a construção de uma estação de tratamento na Barra da Tijuca. Após levantamento de um avaliador, entrou na Justiça pedindo indenização de R$ 354 milhões. A Justiça deu 15 dias para o Estado contestar. A Cedae não contestou. Perdeu. E agora tá fazendo um acordo para pagar R$ 259 milhões. Deve tá sobrando dinheiro no Estado. Não paga o aumento que deu aos funcionários. Só pagou uma das 3 parcelas. Não paga a grana dos aposentados e estão gastando o dinheiro em uma série de farras.
E tem o Rio Previdência que eu criei e que é constituído por títulos públicos de royalties do petróleo antecipados que são sacados todo mês para pagar as folhas dos aposentados e pensionistas. Cinco dias antes do Banco Master informar ao Banco Central que estava sendo vendido para o BRB e o BC vetar a operação, o Rio Previdência aplicou R$ 900 milhões em papel do Banco Master. Isso não é sério, né?

DDR: No início do mês, em entrevista a um podcast, o senhor afirmou que o governador rouba mais que o ex-governador Sergio Cabral. É isso mesmo?

Garotinho: Rouba mais, proporcionalmente. Na época do Cabral foi uma fartura. Teve Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, tinha o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no auge e o Rio estava recebendo muito dinheiro. Então tinha mais dinheiro para roubar. Proporcionalmente, o que está ocorrendo aqui no Estado agora, é escandaloso.

DDR: Qual a sua avaliação sobre o prefeito Eduardo Paes (PSD), seu possível adversário nas próximas eleições?

Garotinho: O Eduardo Paes provavelmente não será candidato. Ele já perdeu duas vezes. Perdeu em 2006, quando chegou em quinto lugar e, depois, perdeu pro Wilson Witzel, em 2018. Ele é uma espécie de maquiador da prefeitura do Rio. Ele mantém as mesmas práticas políticas do grupo do qual ele surgiu, há 32 anos, e se mantêm a frente da prefeitura até hoje. Foram 12 anos do Cesar Maia, 4 do Luiz Paulo Conde, mais 12 do Eduardo e mais estes 4 de agora, com apenas uma interrupção, que foi a gestão do Crivella.
Eu aconselhei o Crivella a mostrar para a população, assim que tomasse posse, a situação financeira que encontrou a prefeitura, se não, iria cair em sua conta. Não fez e depois não tinha dinheiro nem para pagar o seu custeio. Não deu outra. O Crivella se arrebentou.
Agora, o Eduardo fez de novo. Aprovou na Câmara outro empréstimo. Pediu R$ 4 bilhões e aprovaram R$ 3 bilhões, com dois a três anos de carência e o próximo prefeito é que vai pagar. Administração que está saudável não vai pedir R$ 3 bilhões emprestado. Fez isso com o Crivella e ele não denunciou e se lascou. Agora, fez de novo.

DDR: Atualmente, o único da família Garotinho com mandato eletivo é o Wladimir, prefeito de Campos. Além do senhor, Rosinha e Clarice também vêm candidatas a algum cargo?

Garotinho: Depende de três fatores que vão definir as candidaturas. Primeiro, em agosto agora vai ter o julgamento pelo TSE do caso Ceperj (Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), envolvendo Claudio Castro e Bacellar em irregularidades na contratação de milhares de cabos eleitorais na eleição passada. Se o TSE afastar, a eleição é uma. Se não afastar, é outra. O segundo fator é se o Washington Reis vai poder disputar. Se positivo, é uma, se não, é outra. Ainda tem o terceiro fator que a imprensa ainda não destacou. Se ocorrer o afastamento de Castro e Bacellar, vai ter que haver eleição este ano. O Eduardo Paes renuncia para disputar um mandato tampão de um ano ou não? Se sim, é uma. Se não, é outra. Qualquer previsão neste momento, não passa de astrologia. Como se fosse horóscopo. Não é coisa séria.

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