
Da incapacidade de lidar com os medos, perdas e os traumas, enfrentando um estresse intenso, surge o espetáculo “Takotsubo Coração Partido”, com dramaturgia das atrizes Monica Guimarães e Claudia Mauro. A peça é uma obra de fi cção documental que relata as consequências dramáticas de uma mulher de 48 anos, classe média alta, da zona sul carioca, mãe, recém separada de um relacionamento confl ituoso.
A Síndrome do Coração Partido, ou cardiomiopatia, é induzida por estresse, condição médica onde o coração enfraquece temporariamente devido a um evento emocional extremo, como a perda de um ente querido, estresse intenso, ou uma decepção profunda. Ela é mais comum em mulheres e suas consequências podem também trazer sequelas irreversíveis, como também levar ao óbito.
O diretor Édio Nunes afi rma que encenar histórias autobiográfi cas é sempre uma linha tênue, por descortinar fatos pessoais e situações emocionais muito profundas do ser humano. Ele revela ainda que, no processo de criação do projeto procurou priorizar a verdade de tudo que estava sendo dito.
Uma mulher de 50 anos, que repassa a sua vida a limpo, dentro de uma viagem mental, num estado de coma, em que se encontra. Trazer à tona dores, relatos, confrontos, e, principalmente, o renascimento dessa mulher que se transforma, e grita pro mundo , que está viva e precisa seguir em frente”.

Ainda de acordo com o diretor, Eleonora encarna todas as mulheres que rompem com os estigmas e resolve ressurgir das cinzas. “Acreditamos numa cena, onde a palavra e o trabalho dos dois atores e toda a fi sicalidade são viscerais pro resultado do processo. Takotsubo é desafi ador e instigante, ele me obriga a ir fundo em questões pessoais, que atravessam a nossa concepção. Um grande aprendizado, e um presente para qualquer Diretor Teatral, que tem a oportunidade de mergulhar num drama pessoal, com tantas camadas e possibilidades”, finaliza Édio Nunes.
Segundo Monica Guimarães, o espetáculo revela ao público sobre esta condição pouco conhecida. Muitas pessoas não estão cientes dos efeitos psicofísicos que o estresse emocional pode ter sobre o corpo, e o teatro pode servir como uma poderosa ferramenta social.
“O teatro tem a capacidade única de explorar profundamente as emoções humanas. Ao representar histórias e personagens afetados pela Síndrome do Coração Partido, o público pode se conectar emocionalmente com os desafi os enfrentados por aqueles que vivenciam esta condição. Além disso, ver uma história comovente no palco pode despertar consciência, empatia e compaixão nos espectadores. Isso não apenas aumenta o conhecimento sobre a síndrome, mas também promove um ambiente de compreensão e apoio para aqueles que estão passando por difi culdades emocionais”, aponta a atriz.
Larissa Bracher, também diretora do espetáculo, disse que dividir a direção com Édio Nunes foi extremamente prazeroso. “Sei o quanto é raro a harmonia na divisão de uma tarefa criativa e, desde o primeiro dia, pareceu que éramos uma dupla desde sempre”, celebra.
Outro ponto que a peça traz é a desconstrução de estigmas, revelando que muitas condições médicas podem ser mal compreendidas pela sociedade como um todo. O espetáculo objetiva quebrar esses estereótipos ao apresentar personagens complexos e realistas que lutam com questões de saúde mental e emocional.
“O texto provoca identifi cação imediata com o público. É forte, tocante, porque ninguém está imune às dores, às relações adoecidas, aos descompassos da vida que escapam ao nosso controle e nos empurram para o limite. É impossível sair do espetáculo sem refl etir profundamente sobre si, suas relações e suas escolhas”, analisa Cláudia Mauro.
Ainda segundo Cláudia Mauro, o espetáculo “escancara, joga na nossa cara o lado sombrio que carregamos, as dores que queremos esconder, as relações que machucam em silêncio”.
A diretora Larissa Bracher reforça ainda o poder curativo dos processos e do tempo para a personagem do espetáculo e como o teatro é usado como catalisador social. “A peça fala sobre o processo curativo de uma mulher que não soube dar limites aos seus pares e aprende a fazê-lo à duras penas. Nessa peça, o teatro cumpre um de seus papéis, que é justamente a refl exão e aprendizagem pessoal e coletiva”, aponta a diretora Larissa Bracher.
Sinopse curta:
Uma mulher sobrevive a uma experiência de quase morte, depois de uma vida marcada por dores silenciosas. Ao despertar, encontra no budismo e no teatro, caminhos de cura e liberdade.
Ficha Técnica
Autoria: Monica Guimarães e Cláudia Mauro
Direção: Édio Nunes e Larissa Bracher
Elenco: Monica Guimarães e Guilherme Dellorto
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Trilha Original: Marcelo H
Cenário e Figurino: Wanderley Gomes
Preparação Emocional: Estrela Straus
Preparação Vocal: Rose Gonçalves
Colaborador Cênico de Movimento: Toni Rodrigues
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
Idealização e Realização: Monica Guimarães
Produção Executiva: Andréia Ribeiro
Parceria: Casa Forte Produções Culturais e Esportivas
Finalização de Produção: Gabriela Calainho
Serviços
Temporada Takotsubo Coração Partido
Casa de Cultura Laura Alvim – Teatro Rogério Cardoso
De 11 de julho a 3 de agosto – Sábados, às 19h, e domingos, às 18h
Endereço: Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 60 (meia) R$ 30 (inteira)
Classifi cação etária: 14 anos
Duração: 70 minutos




