
Por BBC
A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas repercutiu na imprensa internacional.
Em comunicado publicado nesta quinta-feira (28/5), o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que CV e PCC “são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que elas serão designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
O anúncio ocorre dois dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado, Marco Rubio, e na mesma semana em que ele pediu que o presidente Donald Trump designasse as facções brasileiras como organizações terroristas, durante encontro na Casa Branca.
Segundo o jornal, a decisão dos EUA foi tomada após “meses de lobby agressivo dos filhos do ex-presidente preso, Jair Bolsonaro, um aliado próximo de Trump”.
“A medida surge poucos dias depois de dois dos filhos de Bolsonaro, um dos quais planeja se candidatar à presidência ainda este ano, terem visitado Trump na Casa Branca.”
O jornal americano afirmou que a decisão americana “ameaça trazer tensão novamente às relações entre as duas maiores nações do Hemisfério Ocidental, que só recentemente começaram a reparar suas relações”.
“Isso gerou preocupação entre autoridades brasileiras de que os EUA possam estar tentando influenciar as próximas eleições, ajudando um novo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro afirmou que desafiará nas eleições de outubro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda, a quem acusa de ser leniente com o crime.”
O jornal afirma que o governo Trump já designou mais de uma dúzia de gangues latino-americanas como organizações terroristas, dando poderes extras de sanções econômicas contra grupos ou entidades ligadas a essas gangues.
“Embora Washington já estivesse considerando a mudança há pelo menos um ano, o momento escolhido [para a decisão] dará um impulso ao senador de 45 anos, conhecido por sua postura firme em relação à lei e à ordem”, disse reportagem do jornal britânico.
“O governo Lula resistia à medida, argumentando que os grupos não perseguem objetivos ideológicos e que a designação poderia levar a uma intervenção militar dos EUA no Brasil.”
O Financial Times afirma que “embora já estivesse em andamento uma reaproximação entre os governos [Trump e Lula], como evidenciado pela visita de Lula a Washington no início deste mês, a medida de quinta-feira pode pôr em risco esse progresso”.
A rede Al Jazeera, do Catar, disse que “desde que retornou à Casa Branca para um segundo mandato, Trump tem buscado a designação de ‘terroristas’ para diversas redes criminosas latino-americanas”.
“Esses esforços têm sido criticados como um pretexto para expandir a influência militar dos EUA no Hemisfério Ocidental, como parte da ‘Doutrina Donroe’ de Trump, sua versão da política expansionista do século 19 conhecida como Doutrina Monroe.”
A Al Jazeera também disse que a decisão de Washington “provavelmente vai causar repercussões na política” brasileira, em especial na eleição.
“Trump já interveio na política brasileira em favor da família Bolsonaro. No ano passado, ele aumentou as tarifas de importação do Brasil para quase 50% em um ato de solidariedade ao pai de Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro”, diz a reportagem.
“Assim como Trump, Jair Bolsonaro foi indiciado por tentativa de subversão da democracia após sua derrota nas eleições de 2022. Apesar dos apelos de Trump para que o processo contra Bolsonaro fosse encerrado, o ex-presidente acabou sendo condenado a 27 anos de prisão.”
A rede francesa France24 afirmou em reportagem que “países como o México e o Brasil, com líderes de centro-esquerda, têm se manifestado veementemente contra as designações [de quadrilhas criminosas como terroristas], enquanto outros, como o Equador e Honduras, governados por governos de direita, as apoiaram.”
Do ponto de vista político, a designação de terrorista é uma clara afronta a Lula, que saiu de uma reunião presencial com Trump em Washington no início deste mês “‘muito satisfeito'”, afirma a reportagem da France24.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/H/P/mgyAgBSFiAOwLENPMFyQ/fb39d600-5b32-11f1-89a3-d1f559421220.jpg.webp)




