
Depois de passar por São Paulo, Veias Abertas 60 30 15, idealizado pela Aquela Cia., chega ao Rio de Janeiro para uma curta temporada, de 17 de julho a 10 de agosto, no SESC Copacabana – Mezanino. O espetáculo, que comemora os 20 anos da Cia, tem direção de Marco André Nunes e texto assinado por Pedro Kosovski e Carolina Lavigne.

Apesar de inspirada no clássico do uruguaio Eduardo Galeano, a peça é uma releitura do livro, que já foi proibido no Brasil e que denuncia a dependência econômica e a exploração do continente. “A obra de Galeano aborda ciclos de exploração como o ouro, a prata, o café, o algodão e o açúcar. O foco central da narrativa da peça é o da banana, que deu origem à expressão “República das Bananas”, apelidado dado aos países latino americanos e o massacre dos trabalhadores da Union Fruit, na Colômbia em 1928”, comenta Marco André.
Sobre o assunto, Pedro Kosovski, autor do texto, complementa que “a intenção é ampliar poeticamente o potencial da obra de Galeano, que é muito dura ao tratar de todas as explorações sofridas pela América Latina ao longo dos séculos”.
Mas, segundo o diretor, apesar da temática pesada, o espetáculo é permeado por números musicais de canto e dança, celebrando a beleza e a importância da festa para os povos subjugados. “A peça se passa em “aulas de dança” e é dividida por ritmos musicais latinos, incluindo salsa, bolero, mambo, samba e punta (ritmo hondurenho). A trilha sonora inclui canções de artistas como Grupo Niche, La Charo, Nelson Ned, Perez Prado e Yma Sumac, com fi gurinos típicos e máscaras customizadas e regionais (peruanas, argentinas e brasileiras). O espetáculo busca fortalecer, em nós brasileiros, o senso de pertencimento latino-americano”, reforça o diretor.
Diálogo entre história e atualidade
O nome do espetáculo – Veias Abertas 60 30 15 – se refere à duração das cenas, que vão diminuindo progressivamente de 60 segundos para 30, 15, 10 e 5 segundos, refl etindo, de acordo com Marco, “um tempo nosso que está se esgotando” e a nova “sintaxe das redes” sociais, com seus vídeos de curta duração. “É como uma timeline do continente. Tivemos essa ideia porque temos pensado muito sobre como a nossa atenção é facilmente capturada por esse scroll infi nito. Nosso tempo passou a ser dominado por esse imaginário fragmentado”, completa Pedro.
O cenário de Aurora dos Campos e Marco André Nunes divide o espaço cênico em nove quadrados, como se fosse um jogo. As performances vão acontecendo nesses locais pré-determinados. Além disso, fotografi as e quadros impressos fortalecem a parte documental da obra.
Em 2025, Aquela Cia. completa 20 anos de muita história
Criada por Marco André Nunes e Pedro Kosovski no Rio de Janeiro, Aquela Cia. completa 20 anos em 2025. Conhecida por seus processos de criação coletiva e pela elaboração de uma dramaturgia inédita atravessada pelos conceitos de memória coletiva, fabulação e imaginário social, que vão desde releituras de ídolos pop, como o CD Outside do cantor David Bowie, até autores clássicos europeus como Franz Kafka.
Dentre as obras mais recentes, destacam-se a “Trilogia Carioca” formada por “Cara de Cavalo” (2012), “Caranguejo Overdrive” (2015), “Guanabara Canibal” (2017) e “Chega de Saudade” (2022). “Com Veias Abertas 60 30 15, ‘saímos’ do Rio de Janeiro – e do Brasil – e ampliamos nosso olhar para a América Latina”, fi naliza Marco.
Sinopse
A peça narra a história de um casal, um militar e um funcionário da United Fruit, que se conhece em aulas de dança e decide se casar. O casamento coincide com o Massacre das Bananeiras, em 1928, na Colômbia, quando o Exército reprime uma greve, matando mais de 2 mil trabalhadores. A trama se desenrola em 80 quadros curtos, que variam entre 15 e 60 segundos. Máscaras tradicionais, fi gurinos típicos e músicas populares da América Latina compõem a cena. O ritmo fragmentado refl ete os modos contemporâneos de consumir informação e memória.
Ficha Técnica
Direção: Marco André Nunes
Texto: Pedro Kosovski e Carolina Lavigne
Elenco: Carolina Virgüez, Juracy de Oliveira, Matheus Macena e Rafael Bacelar
Músicos: Felipe Storino e Pedro Leal David
Direção Musical: Felipe Storino
Direção de Movimento: Márcia Rubin
Cenário: Aurora dos Campos e Marco André Nunes
Cenógrafa Assistente: Juliana Augusta Vieira
Figurino: Fernanda Garcia
Iluminação: Renato Machado
Iluminador Assistente: Paulo Denizot
Assistente de Direção: Gabriela Ruppert
Assistente de Figurino: Mag Pastori
Máscaras originais: Rafael Bacelar
Operação de luz: Juliana Moreira
Operação de som: Bob Reis
Assistente de produção: Anne Mohamad
Produção: Corpo Rastreado – Gabi Gonçalves | Nathália Christine
Idealização: Aquela Cia.
SERVIÇO
Veias Abertas 60 30 15 seg
Aquela Cia. Datas: de 17 de julho e 10 de agosto, de quinta a domingo, às 20:30
Local: Sesc Copacabana – Mezanino (Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro)
Ingressos: [incluir informação de valores e locais de compra] Telefone: (21) 3180-5226 Duração: 60 minutos
Classifi cação: 16 anos
Ingressos: R$ 10 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira)
Horário de funcionamento da bilheteria: terça a sexta – das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados – das 14h às 20h.




