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Escadaria do Pico da Tijuca completa 105 anos envolta em curiosa gafe diplomática

Monarca belga se recusou a subir os 117 degraus esculpidos especialmente para ele, mas deixou elogios à paisagem do Rio

Por pouco, os 117 degraus esculpidos na pedra para facilitar o acesso ao Pico da Tijuca não terminaram como símbolo de constrangimento diplomático. Em 24 de setembro de 1920, durante a visita oficial do rei Alberto 1º da Bélgica ao Brasil, o governo do então presidente Epitácio Pessoa resolveu preparar um caminho especial até o segundo ponto mais alto da cidade, com 1.022 metros de altitude. A ideia era impressionar o monarca com a vista do alto e, de quebra, facilitar sua subida ao topo da montanha, dentro do que hoje é o Parque Nacional da Tijuca. Mas o tiro saiu pela culatra.

Montanhista experiente e defensor da natureza, o rei belga ficou incomodado ao ver a intervenção no ambiente natural. Ao saber que a escadaria havia sido feita especialmente para ele, preferiu ignorá-la e seguiu por trilhas naturais até o cume da montanha. A escadaria, até então inédita, não teve sua estreia real, mas acabaria se tornando, com o tempo, um dos trechos mais icônicos da caminhada rumo ao Pico da Tijuca.

Apesar da gafe, a beleza da paisagem compensou o desvio de protocolo. Encantado com a vista que abrange a Baía de Guanabara, o Corcovado, a Pedra da Gávea e até a Serra dos Órgãos, o monarca elogiou o cenário com entusiasmo: “O vosso país tem a mais sedutora e empolgante natureza do mundo”, teria dito aos anfitriões brasileiros.

A escadaria, que completa 105 anos em setembro, hoje é parte fundamental do trajeto até o cume. Com correntes laterais de proteção e degraus de pedra perfeitamente encaixados na montanha, ela permite que visitantes sem preparo físico ou experiência em trilhas mais técnicas possam alcançar o topo com mais segurança. A trilha completa tem cerca de 2,8 quilômetros e é considerada de dificuldade moderada a difícil, com aclives acentuados principalmente no trecho final, justamente onde está o conjunto de degraus esculpidos em 1920.

Instalado no coração da Floresta da Tijuca, o Pico integra o Parque Nacional da Tijuca, a maior floresta urbana replantada do mundo. No século XIX, a área era coberta por plantações de café. Em 1861, diante da crise hídrica e ambiental provocada pelo desmatamento, o imperador Dom Pedro II ordenou a desapropriação das fazendas e iniciou o reflorestamento com espécies da Mata Atlântica.

Hoje, o parque abriga trilhas, cachoeiras, mirantes e um dos cartões-postais mais famosos do mundo: o Cristo Redentor. Ao todo, a unidade de conservação recebe mais de 4 milhões de visitantes por ano, entre brasileiros e estrangeiros.

Serviço

Local: Parque Nacional da Tijuca – Setor A (Floresta da Tijuca)
Endereço: Estrada das Paineiras, s/nº – Alto da Boa Vista
Horário de funcionamento: Diariamente, das 8h às 17h
Telefone: (21) 2492-2250 / 2492-2253 / (61) 2028-8757
E-mail: parnatijuca@icmbio.gov.br

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