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Envelhecimento ativo: Projeto 60+ promove autonomia, inclusão e protagonismo na saúde pública

Com o envelhecimento da população brasileira, cresce a urgência de políticas públicas que valorizem a autonomia e a independência dos idosos. Nesse contexto, o protagonismo das pessoas com mais de 60 anos precisa ser prioridade nas pautas de saúde, esporte e lazer. A prática regular de atividade física, além de combater o sedentarismo, é uma ferramenta eficaz de inclusão e da promoção de uma vida mais plena.

A inatividade física está associada a doenças como câncer, obesidade, hipertensão, diabetes e osteoporose, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A ausência da prática de exercícios, segundo pesquisa publicada na revista médica Lancet, tem causado tantas mortes quanto o tabagismo. Para além das doenças crônicas, o sedentarismo impacta a saúde mental, a cognição e a socialização, especialmente entre os idosos. “Idosos ativos vivem mais e com melhor qualidade de vida. A prática regular de atividades físicas melhora a mobilidade, a independência e reduz os custos com tratamentos de doenças crônicas”, destaca a profissional de Educação Física e gerontóloga Milena Varella, coordenadora do Projeto 60+ em Mesquita (RJ).

Lançado em 2021, o Projeto 60+ já atendeu centenas de idosos e oferece atividades físicas regulares com orientação profissional, ambientes adaptados, apoio de enfermagem e acompanhamento multiprofissional. A iniciativa contempla três perfis de idosos: aqueles com doenças crônicas controladas, os que vivem com comprometimentos cognitivos como Alzheimer e os com limitações físicas. A proposta é simples: promover saúde com segurança, respeitando os limites e a diversidade do envelhecer.

Estudos mostram que o impacto da atividade física na longevidade é significativo. Entretanto, Varella chama a atenção para o crescimento de conteúdos sobre exercícios em redes sociais sem orientação técnica. “A prescrição correta faz diferença para a eficácia e segurança dos treinos, sobretudo após os 60 anos”, disse.

A OMS alerta que políticas públicas integradas — com foco em segurança, mobilidade urbana e campanhas de conscientização — são fundamentais para mudar esse panorama. Enquanto o poder público não avança em escala nacional, projetos como o 60+ mostram que o protagonismo da população idosa é possível e necessário. Ao ocupar espaços, fortalecer vínculos e conquistar autonomia por meio do movimento, os idosos deixam de ser somente beneficiários e são agentes ativos na construção de uma sociedade mais saudável e inclusiva.

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