DestaquePolícia

Delegado e policiais são presos suspeitos de extorquir integrantes do CV

Investigação aponta que agentes públicos usavam a estrutura de uma delegacia para pressionar traficantes e exigir pagamentos em troca de favorecimento

Por Jéssica Andrade

Policiais suspeitos de integrar um esquema de extorsão contra membros da facção criminosa Comando Vermelho (CV) são alvo de uma operação deflagrada nesta terça-feira (10/3) pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. A investigação aponta que os agentes utilizavam a própria estrutura do Estado para intimidar traficantes e exigir pagamentos ilegais em troca de benefícios ou omissão em investigações.

Na ação, foram presos dois policiais civis, identificados como Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus. Além deles, o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves foi detido. O último mandado foi cumprido contra Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, criminoso que já estava encarcerado. As informações são da CNN.

A operação foi autorizada pela Justiça e tem como objetivo desarticular o grupo suspeito de negociar vantagens indevidas com integrantes do crime organizado. Segundo as investigações, os servidores pressionavam e coagiam os faccionados com o objetivo de receber propinas para omissão em atos de ofício. As cobranças eram feitas de forma reiterada e acompanhadas de prazos para pagamento dos valores exigidos.

A apuração também indica que os agentes buscavam manter distância direta dos traficantes. Para isso, teriam utilizado intermediários responsáveis por negociar e recolher o dinheiro. A estratégia, segundo as autoridades, ajudava a ocultar a participação dos servidores públicos no esquema.

Além das prisões e das buscas, a decisão judicial prevê o bloqueio de valores ligados aos investigados, inclusive em contas bancárias e criptoativos. As autoridades também determinaram a suspensão de atividades empresariais relacionadas aos suspeitos.

A investigação faz parte de um conjunto de ações voltadas ao combate à corrupção policial e à infiltração do crime organizado em instituições públicas. O caso segue em apuração para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o alcance do esquema.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo