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Copa do Brasil 25

Fonte: https://ge.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2025/12/15/analise-corinthians-sofre-passa-no-sufoco-e-vai-de-alma-lavada-a-final-da-copa-do-brasil.ghtml

 

Análise: Corinthians sofre, passa no sufoco e vai de alma lavada à final da Copa do Brasil

Por Yago Rudá — São Paulo

O sofrimento está no DNA do Corinthians. Há, no entanto, situações em que a experiência de aflição e angústia passa do limite do aceitável no clube do Parque São Jorge.

Para o bem ou para o mal, foi amparado pela adversidade – tão comum aos corintianos – que os comandados do técnico Dorival Júnior passaram pelo forte time do Cruzeiro e disputarão, de alma lavada, o título da Copa do Brasil contra o Vasco, nos dias 17 (em casa) e 21 (fora).

No jogo de ida, o Corinthians teve uma postura praticamente impecável e, de forma surpreendente, venceu por um gol de diferença. Na volta, o cenário se inverteu completamente. O Timão assistiu ao Cruzeiro jogar um belo futebol na Neo Química Arena e, em apenas 50 minutos, viu a vantagem construída em Belo Horizonte descer pelo ralo.

Jogadores do Corinthians comemoram classificação com a torcida — Foto: Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians

Jogadores do Corinthians comemoram classificação com a torcida — Foto: Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians

Quando o jogo estava 2 a 0 e a classificação nas mãos do Cruzeiro, o Corinthians acordou em campo. Os meias Rodrigo Garro e Breno Bidon chamaram a responsabilidade, o Timão empurrou o adversário em seu campo de defesa e, ajudado por um erro de Cássio na saída da pequena área, diminuiu com Matheus Bidu, empatando o confronto no agregado.

Nos pênaltis, uma classificação com reviravolta. O Timão chegou a estar perdendo por 4 a 2, viu o Cruzeiro ter a oportunidade de fechar o jogo na cobrança de Gabigol, mas fez valer sua tradição em jogos grandes.

Amparado pela competência de Hugo Souza e depois pela frieza de Gustavo Henrique e Breno Bidon nas cobranças decisivas, o Corinthians virou o confronto, fez 5 a 4, despachou o terceiro colocado no Campeonato Brasileiro e garantiu vaga na final da Copa do Brasil.

Em quaisquer circunstâncias, o feito merecia ser comemorado. No caso específico do Corinthians em 2025, mais ainda.

Afinal, o elenco que passou boa parte na zona do rebaixamento do Brasileirão 2024 recebeu apenas dois reforços (Angileri e Vitinho) para esta temporada.

O clube está imerso em uma gigantesca crise política, econômica e administrativa com casos recentes de impeachment, inquérito sobre dois de seus ex-presidentes, possibilidade de intervenção judicial e transfer bans na Fifa e na CBF.

Contra todos os prognósticos, na base do sofrimento, o Corinthians disputará mais um título nesta temporada (foi campeão paulista no primeiro semestre). É preciso reconhecer o bom trabalho do departamento de futebol, que muitas vezes rema contra o próprio clube no Parque São Jorge.

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Fonte:  https://ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2025/12/15/analise-vasco-e-melhor-que-o-fluminense-supera-roteiro-epico-e-chega-a-final-de-forma-merecida.ghtml

Por Bruno Murito — Rio de Janeiro

O time que jogou mais futebol na semifinal entre Vasco e Fluminense está na final. Depois de uma virada vascaína merecida na partida de ida, na última quinta-feira, o roteiro épico dos pênaltis fez justiça a quem foi superior no confronto. O Vasco perdeu por 1 a 0 no tempo normal graças à atuação notável do goleiro Fábio, que impediu ao menos três gols vascaínos durante os 90 minutos.

Nos 180 minutos da semifinal, a equipe de Fernando Diniz foi mais perigosa e exigiu muito mais de Fábio do que o Fluminense exigiu de Léo Jardim.

E quem fez justiça, na verdade, foi Léo Jardim. Quando Vegetti perdeu a primeira cobrança do Vasco, um filme passou pela cabeça do torcedor vascaíno. Mas o goleiro, que pouco trabalhou no jogo de volta, apareceu no momento decisivo para salvar o clube de São Januário, repetindo o que já havia feito contra Botafogo e Operário em 2025 e diante de Athletico-PR, Fortaleza e Água Santa em 2024, pelo mesmo torneio.

Léo Jardim comemora classificação do Vasco contra o Fluminense — Foto: Alexandre Loureiro/AGIF

Léo Jardim comemora classificação do Vasco contra o Fluminense — Foto: Alexandre Loureiro/AGIF

A classificação contra o Fluminense entra para a lista das grandes noites recentes do Vasco. Não apenas pela vaga na final de um torneio tão importante, mas também pelo roteiro construído e pela vitória no auge da rivalidade de um dos maiores clássicos do Rio de Janeiro.

Depois de amargar tantos momentos difíceis nos últimos anos, o torcedor vascaíno pôde celebrar no Maracanã — uma de suas casas — a retomada de um estágio de protagonismo nacional, o verdadeiro lugar do clube na prateleira do futebol brasileiro.

E, se tinha de ser uma noite feliz para o torcedor do Vasco, ela precisava ser dramática. Não bastasse a virada no último minuto do jogo de ida, com gol salvador de Vegetti, o time ainda saiu atrás no placar na volta, com um gol contra bizarro de Paulo Henrique, um dos jogadores mais regulares da equipe nos últimos anos, mas que não fez uma grande semifinal.

O torcedor ainda teve de lidar com um Fábio imparável no Maracanã. Se Coutinho não funcionou na criação, coube a Gómez e Rayan comandarem as ações ofensivas. Mas o goleiro de 45 anos não permitiu. Defendeu um chutaço de Gómez após ótima jogada do colombiano e salvou o Fluminense em dois lances de Rayan: uma cobrança de falta no ângulo, antes do intervalo, e uma grande cabeçada no segundo tempo.

Fábio poderia ter sido ainda mais exigido, não fosse Thiago Silva, que em duas ocasiões tirou o doce da boca de Rayan em situações claras de gol.

Defesa Fábio Andrés Gómez Fluminense x Vasco — Foto: Reprodução/Sportv

Defesa Fábio Andrés Gómez Fluminense x Vasco — Foto: Reprodução/Sportv

Coutinho teve 90 minutos tecnicamente abaixo. Mesmo esgotado fisicamente, Diniz optou por mantê-lo em campo — e acertou. O camisa 10 parece ter guardado toda a qualidade que o consagrou na carreira para bater o pênalti de forma milimétrica, no ângulo, sem chance para Fábio. O beijo no travessão serviu apenas para testar o coração da maioria vascaína no estádio.

Rayan e Victor Luís converteram suas cobranças com frieza, mas ninguém foi mais frio do que Léo Jardim. O goleiro ficou no meio do gol e defendeu o pênalti de Canobbio. O pênalti convertido por Puma Rodríguez trouxe um alívio do tamanho do Maracanã aos torcedores vascaínos e reacendeu o sonho de um título nacional que não vem há 14 anos.

Leo Jardim goleiro do Vasco defende penalti durante partida contra o Fluminense no estádio Maracanã pelo campeonato Copa Do Brasil 2025 — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Leo Jardim goleiro do Vasco defende penalti durante partida contra o Fluminense no estádio Maracanã pelo campeonato Copa Do Brasil 2025 — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

As carências do time titular foram atacadas na última janela de transferências. Dos seis reforços do meio do ano, cinco se tornaram titulares absolutos. Cuesta, Robert Renan e Barros elevaram o nível defensivo a um patamar pouco visto nos últimos anos. Thiago Mendes fez duas grandes semifinais, e Andrés Gómez foi o melhor jogador vascaíno nos 180 minutos. O colombiano infernizou a defesa tricolor nos dois jogos.

A decisão mais autoral da direção foi a contratação de Fernando Diniz. O treinador também teve momentos de instabilidade — a campanha no Brasileirão é prova disso —, mas é preciso reconhecer que o Vasco foi superior a Botafogo e Fluminense na Copa do Brasil e chega à decisão de forma merecida, com as digitais de seu técnico, que permitiu o clube terminar 2025 sonhando com um título.

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