
Se as paredes de um lugar guardam histórias, as do Colégio da Imaculada Conceição (CIC), prédio da década de 1860, são testemunhas de várias – e foram atravessadas por várias gerações de famílias cearenses. Agora, 160 anos depois, a escola tombada pelo patrimônio histórico de Fortaleza abre as portas a visitas gratuitas por essas memórias.
Parte dessas memórias foi vivida pela família da psicóloga Nayana Prado, 40: todas as últimas gerações, desde a bisavó, foram matriculadas lá. “Temos esse vínculo todinho. Minha avó estudou lá na época que eram só mulheres. Tenho três filhos: todos estudaram lá”, diz, com orgulho.

Nayana ocupou as carteiras do CIC da educação infantil até o ensino médio, e está entre os eternos alunos que chamam o colégio de “viveiro adorado”. “Lá tem o porteiro que é do tempo da minha mãe. O Zé da Pipoca, também do tempo dela. São memórias que tenho vivas”, declara.
Segundo ela, a própria avó e ex-alunas da época dela ainda se reúnem numa sala do colégio para organizar ações de caridade.
Quando vou buscar minha filha sempre tem uma mãe mostrando a foto da placa de formatura pro filho. Isso é muito especial. É um colégio que tem vida. São muitas memórias afetivas que a gente tem.
No dia da comemoração do aniversário de 160 anos do colégio, nesta quinta-feira (14), Nayana, a avó, a mãe e os filhos dela terão uma entrada especial no evento, a convite da instituição, como “símbolo de que é um colégio geracional”.
Entre as lembranças da família também está um “patrimônio histórico do colégio”, como ela define: é Joelcio Alves, historiador e professor do “viveiro adorado” há 35 anos. Ele situa o contexto que Fortaleza vivia quando o colégio surgiu.

Naquele período, fazia mais de 20 anos que Dom Pedro II havia sido coroado Imperador do Brasil, em meio a movimentos contra a monarquia. No Ceará, a luta contra a abolição da escravidão – efetivada em 1884, na Terra da Luz – também cercava o surgimento da instituição, relembra o historiador.

O colégio, então, se configurou como um internato para meninas, e o espaço se tornou insuficiente para comportar todas as candidatas. Em 1867, então, foi transferido para o local onde está até hoje – cuja arquitetura, de tão bela, foi usada até em cartões-postais de Fortaleza.
Alunos célebres

As crianças e adolescentes que ocupam o Imaculada hoje “respiram a história”, segundo descreve o professor, “porque em cada espaço tem algo do passado”. A riqueza do complexo tombado e de quem já o frequentou permanece dentro das salas de aula.
Joelcio também cita, orgulhoso, nomes como Petrus Cariry, cineasta brasileiro que foi aluno dele na instituição, e outros destacados nas artes pelo País e pelo mundo.
“Estou sendo professor dos filhos dos meus alunos. Por ter chegado tão jovem, me identifiquei tanto que hoje ainda mantenho laços com muitos ex-alunos. Sou padrinho de batismo, de casamento, de crisma, e frequento as casas deles rememorando os momentos”, emociona-se.
Museu aberto

Além do tombamento, que garante a preservação das características originais do Colégio Imaculada Conceição e da Igreja do Pequeno Grande; o valor arquitetônico, cultural e histórico do espaço é eternizado em um museu mantido pela instituição há décadas. Ele será aberto a visitas gratuitas pelo público, em comemoração ao 160º aniversário.

Para a atual diretora do colégio, a Irmã Evânia Oliveira, é uma oportunidade para famílias conhecerem “toda a parte histórica do colégio” e para os ex-alunos “terem uma lembrança do que viveram” nos corredores e salas de aula.
“Sempre repassamos, tanto pros professores da atualidade como pros estudantes, como ocorreu o início da educação só pra meninas, que eram internas. Celebramos 160 anos de história em Fortaleza”, conclui.
Visitação ao museu do Colégio da Imaculada Conceição e visitas guiadas pelos prédios tombados
- De 11 a 14 de agosto, das 8h às 17h.
- Av. Santos Dumont, 55 – Centro
- Entrada gratuita. Não é preciso realizar inscrição prévia.




