Cultura

Carmina Burana volta ao Theatro Municipal do Rio com montagem grandiosa e mais de 300 artistas

Após sessões esgotadas em 2025, Carmina Burana, de Carl Orff, volta ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro entre os dias 8 e 12 de abril. Montagem reúne Coro, Orquestra Sinfônica e mais de 300 artistas em uma leitura cênica contemporânea da obra.

A nova temporada chega com a mesma aposta que chamou atenção no ano passado: uma leitura cênica contemporânea da obra, em formato de ópera-balé, com linguagens bem diferentes dividindo o palco. A montagem reúne atores, bailarinos e artistas de modalidades como VogueBurlescoPole DanceBreakdancePassinhoArte Drag e até passista. Ao todo, são 230 figurinos em cena.

A concepção, a direção cênica e as coreografias são assinadas por Bruno Fernandes e Mateus Dutra. Os figurinos são de Desirée Bastos. A direção musical e a regência ficam com o maestro chileno Victor Hugo Toro. A temporada tem Patrocínio Oficial da Petrobras.

Para a presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de JaneiroClara Paulino, a volta do espetáculo atende a uma demanda do público. “Carmina Burana está de volta ao palco do Municipal na temporada de 2026, atendendo ao pedido do nosso público. Sair do óbvio foi a escolha mais acertada dos diretores cênicos, especialmente por colocar nos holofotes tanta diversidade em um único espetáculo. Com o patrocínio oficial da Petrobras, estamos com tudo pronto para recebê-los aqui”, afirma Clara Paulino.

O diretor artístico da fundação, Eric Herrero, destaca que a montagem foge do formato mais tradicional da obra. “Sendo Carmina Burana originalmente uma cantata cênica, mas normalmente apresentada em forma de concerto ou coreografada para balé, a nossa montagem apresenta características praticamente inéditas: foi construído um enredo que faz a ligação entre os diversos poemas que compõem a obra, formando um espetáculo de estrutura contínua, com participação cênica tanto do coro como dos solistas, além de bailarinos e artistas das mais diversas especialidades e procedências. Não seria inadequado dizer que estamos apresentando a Carmina Burana em formato de ópera-balé”, diz Eric Herrero.

Quem também volta ao projeto é o maestro Victor Hugo Toro, que lembra a reação do público na temporada passada. “Eu estou muito feliz em retornar ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, não só porque eu tenho um belíssimo relacionamento artístico e profissional com os corpos artísticos, mas também, porque tenho esta oportunidade de remontar e apresentar novamente o espetáculo Carmina Burana. Lembro muito bem como estava lotada a casa, como o público foi ao delírio em cada uma das apresentações que fizemos no ano passado. E fico muito feliz em poder, novamente, apresentar este espetáculo com mais récitas do que em 2025. Tenho certeza que os ingressos vão esgotar e que será uma grande experiência artística”, celebra Victor Hugo Toro.

A montagem é dividida em partes com universos visuais bem marcados. Em “Primo Vere”, que trata da chegada da primavera e do despertar da natureza, a inspiração vem dos retábulos do flamengo primitivo, em especial de Hieronymus Bosch e da obra O Jardim das Delícias. Já a segunda metade, formada por “In Taberna” e “Cours D’Amour”, leva a ação para uma boate contemporânea.

É nessa parte que entram com mais força o deboche, o hedonismo e a frustração amorosa que atravessam os poemas da cantata. A produção também incorpora referências visuais de Pedro Américo, com a obra A Noite, de 1883, que integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Na versão de 2026, uma imagem da artista carioca Marcela Cantuária também passa a fazer parte do projeto.

A obra de Carl Orff parte de um manuscrito do século XIII encontrado no mosteiro de Benediktbeuern, na Bavária. Os poemas falam de amor, fortuna, natureza e vida cotidiana. Foram escritos em latim medieval e em diferentes vernáculos, como alemão, inglês, francês e provençal.

No Theatro Municipal do RioCarmina Burana tem uma longa trajetória. A estreia aconteceu em dezembro de 1994, com regência de David Machado. Depois disso, a cantata voltou em diferentes momentos, sob nomes como Lionel FriendAndré CardosoSílvio BarbatoSilvio Viegas e Tobias Volkmann. Em 2013, a obra ganhou pela primeira vez uma encenação com o Ballet do Theatro Municipal, com coreografia de Mauricio Wainrot. Em 2025, uma nova versão ocupou o palco principal e teve sessões esgotadas.

O elenco principal será alternado ao longo da temporada. Michele Menezes interpreta A Noite nos dias 8, 10 e 12 de abril, enquanto Loren Vandal assume o papel nos dias 9 e 11. Guilherme Moreira será O Cisne nos dias 8, 10 e 12, com Herbert Campos nos dias 9 e 11. Já Santiago Villalba interpreta O Louco nos dias 8, 10 e 12, e Johnny França faz o papel nos dias 9 e 11.

Victor Hugo Toro, nascido em Santiago do Chile, tem mais de 20 anos de carreira e já regeu orquestras no Brasil, no Chile, na Argentina, no Uruguai, no México, na Itália, na Romênia e na China. Também é compositor, professor e já foi premiado no Concurso Internacional de Regência Orquestral – Prêmio OSESP.

Serviço:

Carmina Burana, de Carl Orff
De 8 a 11 de abril, às 19h, e 12 de abril, às 17h
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Endereço: Praça Floriano, s/nº, Centro
Classificação: 16 anos

Ingressos:
Frisas e camarotes – R$ 90
Plateia e Balcão Nobre – R$ 80
Balcão Superior e Lateral – R$ 50
Galeria Central e Lateral – R$ 20

As entradas estão à venda no site do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e na bilheteria. Antes de cada apresentação, haverá palestra gratuita sobre a obra, com intérprete de Libras.

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