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Babalorixá Pai Júnior de Oyá reage e denuncia fala ofensiva de pastora que acusa a marca Renner de “elementos malignos”

A fala da pastora Marlete Nascimento, da Igreja SARÇA, divulgada em vídeo nas redes sociais, provocou forte reação no meio religioso e jurídico por vincular símbolos sagrados das religiões de matriz africana a doenças, chagas, “trevas” e práticas negativas. Em um dos trechos, a pastora chega a citar peças comercializadas pela Renner, insinuando que acessórios e roupas da marca estariam ligados a elementos espirituais malignos — afirmação que pode gerar prejuízo à imagem da empresa e desinformar consumidores, além de configurar intolerância religiosa.

O episódio já foi denunciado formalmente. O advogado Ricardo Nunes, vice-presidente da Comissão da Advocacia do Axé da OAB/RJ — presidida pelo advogado Márcio de Jagum — registrou ocorrência com base no Artigo 208 do Código Penal e na Lei 7.716/1989 (Lei Caó), que tratam como crime qualquer ato de discriminação, vilipêndio ou ataque a símbolos religiosos.

Para o Babalorixá Pai Júnior de Oyá, dirigente do Ilê Ase Oloya Lebe, a fala da pastora ultrapassa todos os limites do respeito, da responsabilidade pública e da legalidade.

“O que essa pastora afirmou não é opinião e nem interpretação espiritual. É crime. Quando ela demoniza nossos símbolos sagrados, ela não apenas ofende nossa fé: ela coloca em risco todo um povo e reforça um discurso histórico de perseguição”, declarou Pai Júnior de Oyá.

O religioso também criticou o fato de a pastora citar a Renner como suposta propagadora de objetos espirituais negativos:
“É irresponsável acusar uma empresa séria, que movimenta empregos e atende milhões de clientes, de algo que não existe. Isso cria pânico moral, prejudica consumidores e distorce completamente o significado de peças que, para nós, são sagradas. Ela mistura desinformação com intolerância.”

Segundo especialistas, quando um líder religioso ataca publicamente uma marca reconhecida como a Renner, há risco de abalo comercial, danos à reputação, queda de confiança dos consumidores e responsabilidade civil, além da esfera criminal já aplicada pela legislação sobre intolerância religiosa.

A Comissão da Advocacia do Axé da OAB/RJ acompanha o caso e avalia novos encaminhamentos junto às autoridades. Organizações de direitos humanos também monitoram o episódio, que reacende debates sobre responsabilidade no ambiente digital, respeito à diversidade religiosa e a necessidade de combater discursos que alimentam preconceito e violência.

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