
Autoridades brasileiras realizam nesta quarta-feira (18) na Flórida, nos Estados Unidos, buscas atrás de obras de arte, imóveis de luxo e outros bens ligados Daniel Vorcaro e ao Banco Master. A busca é uma tentativa de recuperar fundos. A informação é da agência de notícias Bloomberg.
Em nome do Banco Central, o liquidante do Banco Master entrou com uma ação no tribunal federal de falências em Miami, no dia 29 de janeiro, para intimar 22 entidades. Estão citadas corretoras, galerias de arte e casas de leilão.
As autoridades estão buscando informações sobre bens ligados a Vorcaro, seus sócios e algumas entidades do Banco Master. Isso inclui uma mansão de 2.200 metros quadrados a oeste de Orlando, que o pai de Vorcaro comprou pelo valor de US$ 32 milhões.
Suposta mansão comprada pelo pai de Daniel Vorcaro. — Foto: Reprodução/Google Earth
Em dezembro, um juiz aprovou o pedido de falência nos EUA enquanto a liquidação tramitava no sistema judiciário brasileiro. Os advogados americanos de Vorcaro apresentaram uma objeção às intimações em 9 de fevereiro, argumentando que o liquidante não tinha o direito de buscar seus bens pessoais, pois é o banco, e não ele, quem deve prestar contas aos credores e depositantes.
Uma audiência será realizada em 4 de março.
Entre os quadros pertencentes ao financista, segundo a agência, estão de Jeff Koons, Pablo Picasso, Andy Warhol, Mark Rothko e David Hockney.
Vorcaro negou qualquer irregularidade à Bloomberg e afirmou estar cooperando com a polícia.
BC intervém em Banco Pleno, que já pertenceu ao Banco Master
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Banco Central — Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e estendeu a medida à Pleno DTVM S.A., integrante do mesmo conglomerado.
A instituição, que anteriormente operava como Voiter, é administrada pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. O banco também já pertenceu ao grupo do Banco Master, do qual se desligou em julho de 2025, meses antes da intervenção.
Segundo o Banco Central, a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, evidenciado pela piora nos indicadores de liquidez, além do descumprimento de normas que regem o funcionamento do sistema financeiro e de determinações da autoridade supervisora.
A autarquia informou que serão apuradas eventuais responsabilidades. Pela legislação que trata de liquidações extrajudiciais, os bens de controladores e administradores podem ficar indisponíveis, e há previsão de aplicação de sanções administrativas, além de comunicação a outros órgãos competentes.
Ainda em 2025, o Banco Central havia alertado Augusto Lima sobre fragilidades financeiras identificadas no então Banco Pleno. Mesmo após o aviso, a instituição continuou operando.
O empresário também foi citado em investigação conduzida pela Polícia Federal do Brasil que apura suspeitas de fraudes relacionadas a operações no mercado financeiro. A apuração trata de valores que podem superar R$ 12 bilhões. Augusto Lima nega irregularidades e afirma não ter relação com fatos investigados após sua saída da sociedade anterior.
Extratos mostram repasses milionários de Daniel Vorcaro para empresa de Toffoli
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Ministro Dias Toffoli, do STF — Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
O fundo de investimentos utilizado por Daniel Vorcaro para comprar parte da participação do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões, segundo extratos obtidos pelo jornal Estadão.
As datas dos aportes, feitos pelo cunhado do dono do banco Master, o pastor Fabiano Zettel, batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que Vorcaro pediu a Zettel que fizesse aplicações no empreendimento do Paraná.
Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro. Toffoli ainda não se manifestou sobre as novas revelações.
O fundo Arleen, que tem Fabiano Zettel como único cotista, adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt Participações S.A., empresa da família de Toffoli.
Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do resort, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, os documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no empreendimento onde a Maridt possuía participação societária.
Para o cientista político Murilo Medeiros, as provas contra o ministro aprofundam a degradação da imagem do STF como guardião constitucional.
A oposição estima que a mais recente revelação vai impulsionar os pedidos de impedimento de ministros do Supremo. Quem comenta é o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto.
Na última quinta-feira, deputados e senadores de oposição protocolaram um novo pedido de impeachment contra Dias Toffoli. Até hoje, o Senado nunca votou um pedido de impedimento contra ministros do Supremo.




