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Às vésperas do julgamento, Castro deve deixar o cargo na segunda e tenta mudar o roteiro da própria queda

O governador Cláudio Castro deve deixar o cargo na segunda-feira (23), segundo o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione. A saída acontece às vésperas da retomada do julgamento no TSE, que já tem placar de 2 a 0 pela cassação e pela inelegibilidade do governador.

O Palácio Guanabara entrou de vez em modo de desmontagem. O governador Cláudio Castro deve deixar o cargo na próxima segunda-feira, 23 de março, segundo informação atribuída ao secretário-chefe da Casa CivilNicola Miccione, e já tratada como movimento concreto nos bastidores do governo fluminense.

A saída não acontece por acaso nem apenas por calendário eleitoral. Ela vem na véspera da retomada, no Tribunal Superior Eleitoral, do julgamento que pode cassar os diplomas de Cláudio Castro, do ex-vice Thiago Pampolha e do presidente afastado da AlerjRodrigo Bacellar. Até agora, o placar está em 2 a 0 pela cassação, e a sessão foi remarcada para 24 de março, com possibilidade de continuidade no dia 25.

O caso envolve acusações de abuso de poder político e econômico na eleição de 2022, com foco no uso da Ceperj e também em estruturas públicas mobilizadas no período eleitoral. No voto já apresentado, o ministro Antonio Carlos Ferreira acompanhou a relatora, Isabel Gallotti, não só pela cassação, mas também pela declaração de inelegibilidade de Cláudio Castro.

É aí que a renúncia ganha outro peso. Formalmente, Castro também precisa se desincompatibilizar até 4 de abril para disputar o Senado. Politicamente, porém, a antecipação da saída é lida como tentativa de evitar o desgaste máximo de ser apeado do cargo por decisão judicial. É o tipo de movimento para tentar sair andando antes de ser retirado pela porta dos fundos.

Nesta sexta-feira (20), o governador já exonerou 11 secretários estaduais que disputarão as eleições de outubro. A troca em massa no primeiro escalão foi publicada no Diário Oficial e escancarou que o governo entrou, de fato, em fase de transição. Não era mais só rumor de bastidor. A máquina começou a ser rearrumada para o que vem depois.

Só que a jogada está longe de garantir tranquilidade. O processo no TSE não discute apenas a perda do mandato. A própria corte já registra votos pela inelegibilidade, o que significa que a saída antecipada pode até mudar a cena política imediata, mas não necessariamente resolve o maior problema de Castro, que é o risco real de ficar fora da disputa eleitoral.

No fundo, o que se vê é um governador tentando escolher a hora da própria queda num momento em que o tempo político já não parece mais estar nas mãos dele. A segunda-feira pode marcar o fim formal do governo Cláudio Castro. O julgamento de terça dirá se isso bastará para lhe preservar algum futuro.

Com informações do g1.

 

Fonte https://diariodorio.com/as-vesperas-do-julgamento-castro-deve-deixar-o-cargo-na-segunda-e-tenta-mudar-o-roteiro-da-propria-queda/

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