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Após escândalos, Cruz Vermelha dá início à sua reestruturação, sob nova gestão formada no Rio

Reunião na Alerj definiu a criação de um grupo provisório para realizar eleições para a presidência da Casa, cujo comando está vago. Ex-presidente Kleber Maia teve atos e nomeações anulados pela Justiça

Após denúncias de fraudes e corrupção e disputas internas pelo poder, a Cruz Vermelha Brasileira dá os primeiros passos para o resgate da credibilidade e da confiança pública. Na segunda quinzena de julho, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) recebeu representantes da instituição no Rio e de outras filiais da entidade internacional para definir os novos rumos da entidade, cujo comando está vago, por conta de questionamentos da Justiça quanto à atuação do ex-presidente nacional da entidade, Kleber Maia, que responde a diversas acusações. A instituição é a principal promotora de ajuda humanitária em todo o mundo, mas no Brasil passa por problemas administrativos há décadas.

Magistrados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal têm imposto seguidas decisões desfavoráveis a Kleber Maia, anulando praticamente todos os seus atos e nomeações. Contra ele pesa também o fato de ter assumido o comando da casa após a expulsão de Júlio Cals, então presidente; sem passar por processo eleitoral, o que foi considerado totalmente ilegal pela justiça. A entidade é famosa no Rio por seu belíssimo prédio na Praça da Cruz Vermelha, um ícone da boa arquitetura carioca largado sem manutenção há décadas.
No processo 0012952-21.2021.8.19.0001, da 15ª Vara Cível da Capital (TJ-RJ), a Justiça fluminense reforçou a suspensão das nomeações feitas por Kleber Maia, incluindo o grupo designado por ele para atuar na filial do Centro do Rio. A Justiça avaliou os atos praticados por Maia como carentes de legitimidade e determinou reestruturação da Cruz Vermelha com base nos estatutos legais.

O caso se assemelha muito ao movimento feito pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que vem se reerguendo, pagando dívidas trabalhistas, anulando cobranças fraudulentas, reorganizando seu patrimônio imobiliário e cuidando de sua sede quadricentenária no Centro do Rio, sob a liderança do juiz Francisco Horta.

O encontro na Alerj teve como objetivo virar a página de anos de escândalos e má administração da Cruz Vermelha. Na ocasião, ficou acordada a formação de um grupo provisório para realizar a transição e apresentar os nomes à Justiça. Em 60 dias, eleições legítimas devem ser realizadas, sob a condução da equipe provisória, que afirma querer se distanciar dos anos de incompetência e corrupção.

Respeitado por sua trajetória dentro da instituição, Luiz Carlos dos Santos foi o nome mais cotado para assumir a interinidade da presidência nacional até que a eleição definitiva seja realizada:

“A Cruz Vermelha é uma instituição internacional, símbolo de socorro, credibilidade e neutralidade. Precisamos nos reencontrar com essa missão, com respeito às normas, à democracia e aos princípios humanitários”, disse Luiz Carlos durante o encontro na Alerj, como repercutiu o site Última Hora Online.

O belo edifício-sede, no Centro, sofre com o abandono e se tornou uma espécie de sanitário público, com o fedor se espalhando pelas redondezas, desde o encerramento aparente de suas atividades. A nova gestão aguarda ordem judicial para reintegração de posse da edificação que dá nome a uma das principais praças do Centro Histórico.

As últimas ações indicam que a Cruz Vermelha, uma referência global de ajuda humanitária, caminha para restaurar a sua credibilidade e retomar as ações que a tornaram uma das instituições mais lembradas e respeitadas do mundo.

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