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Anvisa aprova novo medicamento para tratar lúpus eritematoso sistêmico

Gazyva, à base de obinutuzumabe, poderá ser utilizado por adultos com a doença em atividade moderada a grave; tratamento pode reduzir crises e a necessidade de corticoides

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação terapêutica para o medicamento Gazyva (obinutuzumabe), que poderá ser utilizado no tratamento de adultos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, de moderado a grave. A autorização foi publicada na terça-feira (13).

A indicação contempla pacientes que apresentam autoanticorpos e já recebem o tratamento padrão para a doença. A aprovação amplia as opções terapêuticas, especialmente para pessoas que continuam enfrentando crises recorrentes ou têm dificuldade para controlar a atividade do lúpus com as terapias disponíveis.

Medicamento atua em células do sistema imunológico

O obinutuzumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que atua sobre os linfócitos B, células do sistema imunológico envolvidas nos mecanismos que levam ao desenvolvimento do lúpus.

Segundo a Anvisa, os benefícios demonstrados para a nova indicação incluem a redução da atividade da doença, a diminuição da ocorrência de exacerbações — períodos em que os sintomas se intensificam — e a redução sustentada da exposição a corticosteroides.

Esses medicamentos são utilizados para controlar a inflamação, mas o uso prolongado pode provocar efeitos colaterais importantes. Por isso, a possibilidade de reduzir sua utilização representa um avanço para pacientes que dependem dessas substâncias por longos períodos.

Lúpus pode afetar diferentes órgãos

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune, crônica e potencialmente grave. A condição ocorre quando o sistema imunológico produz autoanticorpos de forma desregulada, provocando inflamações que podem atingir diferentes partes do organismo.

Entre os órgãos e sistemas afetados estão:

  • Pele: pode apresentar lesões, manchas e sensibilidade à luz solar.
  • Articulações: podem ocorrer dores e inflamações.
  • Rins: a doença pode comprometer a função renal.
  • Sistema sanguíneo: podem surgir alterações nas células do sangue.
  • Sistema nervoso central: em alguns casos, podem ocorrer manifestações neurológicas.

A evolução varia de pessoa para pessoa. Sem acompanhamento e tratamento adequados, o lúpus pode provocar danos cumulativos aos órgãos e comprometer a qualidade de vida.

Aprovação não significa acesso imediato ao medicamento

Embora a autorização da Anvisa permita o uso do obinutuzumabe para a nova indicação, isso não significa que o medicamento esteja automaticamente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) ou tenha cobertura garantida pelos planos de saúde. O acesso depende de critérios e decisões específicas.

A escolha do tratamento deve considerar o quadro clínico, a resposta às terapias anteriores e os possíveis riscos para cada paciente. Pessoas com diagnóstico de lúpus não devem interromper nem modificar os medicamentos em uso sem orientação médica.

A nova indicação do Gazyva representa uma alternativa adicional para adultos com lúpus ativo moderado a grave, sobretudo para aqueles que ainda enfrentam dificuldades para controlar a doença com o tratamento convencional.

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