
Por Luiza Sá — Rio de Janeiro
A derrota para o Bragantino fez o Flamengo encontrar um Maracanã desconfiado na volta para casa. O time deixou o campo para o intervalo sob sonoras vaias, e o cenário se encaminhava para ser desconfortável. A reação veio quando os jogadores se aproveitaram do cansaço do Santos. Resolveram o confronto em seis minutos e saíram com o 3 a 1 antes da estreia na Libertadores.
O Flamengo teve como estratégia justamente desgastar o adversário, mas correu riscos além do necessário na primeira etapa. Os aplausos no final comprovam que, ainda que a equipe receba apoio nos 90 minutos, a confiança da torcida só vai voltar com vitórias – de preferência convincentes.
Regido por Jorginho e Varela, principalmente, o Fla deu algumas mensagens ao próprio treinador com as mudanças no segundo tempo. A reação rápida e a virada de chave após o gol contam – e muito -, mas a postura mais urgente e ofensiva para manter o ritmo só foi possível depois das alterações. A escalação, que também servia de teste para a Libertadores na quarta-feira, pode ajudar o português a encontrar uma base mais fixa.
— O que eu disse aos jogadores é que, com o nosso elenco, com as funções que temos, temos que colocar logo no início uma intensidade dessa forma no jogo e provocar desgaste ao adversário. Muitas vezes não vamos fazer o gol, muitas vezes vamos fazer, porque tivemos duas situações na cara do gol que acabamos por não fazer. Mas provocamos um desgaste no adversário. Na segunda parte, voltamos para o jogo com a mesa intensidade. Mesmo falhando, mesmo com um gol anulado, mesmo com o jogo interrompido por cinco minutos, fomos capazes ainda de fazer três gols e ganhar – disse Jardim em entrevista coletiva.
Escolhas erradas e ritmo ruim
Depois do susto geral com a atuação péssima diante do Bragantino, o Flamengo tinha a missão de dar uma resposta positiva ao torcedor. O primeiro tempo, porém, passou longe disso. Mesmo com a posse, o time viu o Santos marcar bem, se fechar completamente e assustar mais, ainda que seja um time cheio de limitações e desfalques.
Apostando muito nas saídas pelo lado direito, o Fla comemora o retorno de Varela. O lateral-direito, mesmo bem marcado, fez uma partida primorosa, salvando a equipe duas vezes em chances claras. Carrascal errou muito, mas nada comparado ao lado esquerdo. Ayrton Lucas e Samuel Lino, assim como na rodada passada, foram mal e o atacante terminou a etapa inicial sendo vaiado sempre que tocava na bola.
Algo que Jardim ainda precisa organizar melhor é o papel dos pontas na equipe. Como Pedro assumiu quase uma nova função, voltando mais para receber a bola, e Arrascaeta cai bastante pelos lados, os atletas mais agudos muitas vezes ficam deslocados e longe das características ideais. Por isso, parecem não saber a forma de agir. Especialmente considerando que o português gosta que sejam os laterais a darem a profundidade à equipe. Esses jogadores de lado são os que mais estão devendo no momento.
O Santos entendeu que precisava pressionar os jogadores mais inseguros de alguma forma. Foram em Evertton Araújo e Lino as principais apostas para as roubadas de bola. O camisa 16, porém, foi responsável pela melhor chance do Flamengo depois de um passe enfiado para Carrascal. O colombiano tomou uma decisão errada ao escolher chutar e não acionar Arrascaeta, que chegava livre. Faltava intensidade ao Fla para ser de fato efetivo e quebrar as linhas.
Virada e urgência
O estádio foi ficando impaciente com a atuação e os erros constantes, mas a resposta estava vindo. Não sem antes um susto. A bola perdida no ataque fez o Santos sair em contra-ataque rápido e Lautaro Díaz deixou Léo Ortiz na saudade na marcação. Ali, o temor por mais um tropeço ficou no ar, mas não durou.
A resposta rápida com Ortiz em gol anulado foi importante para os ânimos. O Flamengo, é verdade, ficou pilhado inicialmente por não concordar com a marcação e quase sofreram um gol no lance seguinte, mas Leonardo Jardim entrou em ação para motivar o elenco e dar a certeza de que logo fariam outro. O lado mental é um fator que o treinador tem batido desde que chegou ao clube, seja por expulsões ou por reações com situações de jogo. Os jogadores ouviram e continuaram indo para cima. As entradas de Paquetá e Bruno Henrique ajudaram.
— O torcedor quer que o time sempre ganhe, independentemente das dificuldades que a gente tiver. Tínhamos jogadores que atuaram 180 minutos pela seleção, mais viagem, sem folga, buscando sempre o nosso melhor. O time sofreu contra o Bragantino. Hoje as dificuldades também eram muitas, mas a gente tentou em todo momento não perder a cabeça. Acredito que esse é o nosso diferencial, temos jogadores com muita maturidade de ter a cabeça fria. No segundo tempo, os gols chegaram de forma natural. O torcedor está no seu direito – afirmou Arrascaeta.
O Flamengo se recompôs depois do gol dos visitantes e virou a chave. Virou a partida em seis minutos e praticamente não correu mais riscos. Com a torcida novamente confiante, o time só fechou o placar para voltar ao caminho das vitórias.




