Lucas Paquetá teve sua melhor atuação desde que voltou ao Flamengo — Foto: André Durão / ge
Por Emanuelle Ribeiro — Rio de Janeiro
Um Flamengo à la Leonardo Jardim está surgindo. Na vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro nesta quarta-feira, pelo Campeonato Brasileiro, o time apresentou novas possibilidades no segundo jogo sob o comando do treinador. Há ajustes a serem feitos, mas as ideias já dão as caras.
Foi um time que trocou posse com o adversário e variou a altura da marcação no decorrer do jogo. Começou mais intenso, marcando em cima a saída de bola do Cruzeiro, mas depois recuou e deu mais campo para os mineiros jogarem. Diferentemente do Flamengo que se defendia o tempo todo com a bola, mas que também ficava mais exposto nos contra-ataques.
A intensidade dos primeiros 10 minutos resultou em três bolas recuperadas no campo de ataque, com gol cedo e perigo para Cássio. Pedro foi um dos personagens desta pressão. O atacante aproveitou passe errado de Villarreal, venceu três marcadores, com direito a giro para cima de Fagner, e marcou um bonito gol aos 4 minutos. A vantagem ditou o ritmo do jogo.
Viu-se uma equipe compacta, com os jogadores de frente se aproximando mais para receber a bola e verticalizar o jogo. O entrosamento entre meias e atacantes foi um dos pontos positivos do Flamengo, com destaque para Paquetá, que teve sua melhor atuação desde que voltou ao clube.
O posicionamento do jogador foi um dos méritos de Leonardo Jardim. O meia já havia dito que prefere jogar pela direita, e o treinador possibilitou isso sem perder profundidade. Escalou Royal na lateral direita e deixou o corredor livre para ele chegar à linha de fundo, dando mais espaço para Paquetá transitar pela intermediária. Foi desta forma que o camisa 20 enfiou quatro bolas na área, três no primeiro tempo e uma no segundo, gerando três finalizações perigosas de Arrascaeta.
— O cenário que preparamos era sempre de uma construção com o Erick (Pulgar) ou do zagueiro pela direita, o ponta esticava para fazer o corredor, que era o Royal, e Paquetá aparecia entrelinhas, que é o jogo dele. O meu trabalho como treinador é proporcionar aos jogadores um bom posicionamento para que eles consigam impulsionar suas características. O Paquetá não é um ponta. Engraçado que uma das primeiras coisas que me disseram é que o Paquetá pelo lado direito não funciona. Eu disse “vamos ver”. Eu estou satisfeito, acho que ele pode funcionar, mas tem que ter uma organização estratégica — analisou Jardim depois do jogo no Maracanã.
Cruzeiro, com mais homens no meio-campo e valorizando a posse de bola, conseguiu se sobrepor em alguns momentos do jogo e encontrou alguns passes nas costas dos meias do Flamengo, que teve a defesa exposta. Villarreal e Fabrício Bruno fizeram Rossi trabalhar. Apesar do risco, o Fla dominou as ações e terminou o primeiro tempo com o dobro de finalizações em relação ao time celeste.
Houve uma evolução defensiva no Flamengo, com controle durante boa parte do segundo tempo, o que permitiu Jardim testar peças. As mudanças do treinador indicam um time que poderá correr mais riscos e precisará saber a lidar com a pressão, como aconteceu na reta final do segundo tempo, mas que também é mais objetivo quando tem a bola.
Apesar da pressão cruzeirense, o Flamengo esteve sempre mais perto dos três pontos. Acertou duas bolas na trave e obrigou Cássio a duas boas defesas. Rossi, foi acionado, mas não foi testado. A objetividade rendeu o segundo gol no último minuto, com Lino lançando Carrascal, que tocou consciente na saída do goleiro — dois jogadores questionados que ganham confiança.
A exemplo do que fez com Paquetá, Leonardo Jardim ganha pontos neste primeiro momento pelas escolhas em relação ao posicionamento dos atletas e por evitar improvisações. Mas ainda há o que melhorar e o que testar. O técnico deve fazer novas mudanças no Flamengo para o clássico contra o Botafogo no próximo sábado, pela sexta rodada do Brasileirão.