
Por Letícia Marques — Rio de Janeiro
O Botafogo não cumpriu o primeiro (e principal) objetivo do ano e foi eliminado na pré-Libertadores. A má atuação na derrota para o Barcelona de Guayaquil por 1 a 0, teve uma parcela de culpa na equação, mas o cenário fora de campo é o ponto determinante para o Alvinegro ficar fora da fase de grupos.
A declaração de Alex Telles ao fim da partida é um retrato de que a responsabilidade não é só dos jogadores. A verdade é que o calendário do Botafogo na temporada foi colocado em xeque com a falta de planejamento da diretoria, comandada por John Textor, o dono da SAF.
O transfer ban sabido internamente desde outubro foi resolvido apenas no dia 6 de fevereiro. O fato impossibilitou Anselmi de ter um elenco maior e mais qualificado. Medina, o principal reforço, sequer pôde ser inscrito nesta fase, assim como Edenílson, Júnior Santos e Ferraresi que chegaram depois.
John Textor em Botafogo x Barcelona de Guayaquil — Foto: André Durão
Há a necessidade de contratar peças que encaixem no estilo de Anselmi, que tenta implementar o sistema com três zagueiros, mas sofre com a falta de opção no elenco. Mateo Ponte e Newton são frequentemente improvisados na zaga, como aconteceu nesta terça-feira. Diante da má fase de Léo Linck e Neto, e a falta de oportunidade para Raul, contratação de um goleiro deve ser avaliada.
Mas a punição da Fifa passou longe de ser o único problema extracampo do Botafogo neste início de ano. O atraso no pagamento de parte dos salários gerou uma insatisfação no elenco e quase custou a permanência de Danilo. Além disso, é o 69º dia do ano e não há qualquer perspectiva de resolução para a briga envolvendo Textor, Ares e Eagle.
E é justamente neste período que Textor vive o momento mais conturbado no Botafogo. O americano é alvo de críticas da torcida, sofre certa resistência interna principalmente após o empréstimo que pegou para pagar o transfer ban, e viu Thairo Arruda, o seu então maior aliado deixar o clube.
O caos externo respingou dentro de campo
O gol de Matheus Martins em Guayaquil deixou o Botafogo vivo e confiante na classificação. Mas a falha de Léo Linck logo aos sete minutos no Nilton Santos veio como um balde de água fria. Depois, a pressão era nítida diante da afobação dos atletas que mal controlavam a ansiedade.
Anselmi escalou como está acostumado: Léo Linck, Vitinho, Ponte, Bastos, Barboza, Alex Telles, Newton, Montoro Barrera e Matheus Martins. Mas, pela primeira vez, praticamente abriu mão da formação com três zagueiros. No fim do jogo, Barboza e Newton formavam a zaga.
Anselmi orienta vitinho em Botafogo x Barcelona-EQU — Foto: REUTERS/Pilar OlivaresA mudança já começou aos 33 do primeiro tempo quando Mateo Ponte deixou o gramado para a entrada de Joaquín Correa. Ponte cumprimentou os jogadores no banco de reservas, mas seguiu para o vestiário. O gol cedo fez o Botafogo correr atrás do resultado, mas fez um primeiro tempo com mais posse, mais finalização e pouca eficiência.
Anselmi voltou para o segundo tempo com Arthur Cabral no lugar de Bastos. A falta de Alex Telles para grande defesa do goleiro Contreras poderia ter mudado a partida logo aos dois minutos. O Botafogo protagonizou fez a etapa final de muitas tentativas e pouca eficiência. Aos oito, Arthur Cabral teve uma boa cabeçada e, aos 27, Vittinho teve uma boa chance em chute.




