
De acordo com o levantamento oficial, a categoria “transporte por aplicativo” foi a que mais subiu dentro do IPCA no ano passado, com alta média de 56% no país. Em cidades como Recife, Vitória, Rio, Porto Alegre e Brasília, o aumento foi ainda maior. Na capital gaúcha, os preços chegaram a subir 83,4%.
A atriz e produtora cultural Vitoria Rodrigues, de Porto Alegre, conta que precisou reorganizar a rotina da família para reduzir o uso dos aplicativos. “A gente tem feito essas divisões mais precisas do carro pra não pegar aplicativo. Quando a tarifa está barata, é certeza que eles não vão vir. Tem que esperar ficar caro pra alguém aceitar”, relata. Segundo ela, a mudança afeta o dia a dia. “Isso impacta a rotina. Tem que sair mais cedo, se programar melhor”, diz.
Do outro lado, motoristas afirmam que o aumento não chega a quem está ao volante. O presidente da Federação dos Motoristas por Aplicativos do Brasil, Paulo Xavier, diz que a percepção é de perda de renda. “Nós motoristas não temos recebido esse aumento. A plataforma retém cada vez mais. Muitas vezes, se aceitar uma corrida muito baixa, o motorista paga para trabalhar”, afirma.
Com preços mais previsíveis, o táxi tradicional voltou a ser opção. Em 2025, a inflação média dos táxis ficou em 9,46%. No Rio, o aplicativo Táxi Rio, da prefeitura, oferece descontos que podem chegar a 40%. O consultor de vendas João Victor Oliveira diz que aderiu ao serviço. “Às vezes o Uber dá R$ 30. No Táxi Rio também dá R$ 30, mas com desconto de 10%, 20% ou até 40%. Fora a segurança e o motorista registrado”, conta.
Simulações feitas pela CBN em horários de pico mostram a diferença. Em um trajeto entre o Aeroporto Santos Dumont e o Copacabana Palace, o preço variava de R$ 66 no app 99 e R$ 36 no Uber, enquanto no Táxi Rio ficava entre R$ 26 e R$ 43, dependendo do desconto. Em São Paulo, entre Congonhas e a Avenida Paulista, o táxi também apareceu competitivo em relação aos apps.
O economista André Braz, do FGV IBRE, explica que os preços dos aplicativos seguem a lógica da oferta e da procura. “Em períodos de festas, férias e Carnaval, a demanda sobe e os preços acompanham. Passada a alta temporada, parte desse aumento tende a recuar”, avalia.
No Rio, os reajustes também chamaram a atenção dos órgãos de defesa do consumidor. O Procon-RJ autuou Uber e 99 em dezembro, após considerar insuficientes as explicações apresentadas pelas empresas. O processo administrativo segue em andamento.
Procurada, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, que representa Uber e 99, afirmou que os preços buscam equilibrar demanda e oferta e questionou a metodologia do IPCA. A entidade citou ainda uma pesquisa do Cebrap que aponta aumento real na remuneração dos motoristas entre 2023 e 2024.
Fonte: https://diariodorio.com/alta-de-quase-60-nos-apps-faz-carioca-voltar-ao-taxi-e-a-carona/



