
Por Bruce William
Antes do primeiro álbum sair, o Rush ainda era o trio Geddy Lee, Alex Lifeson e John Rutsey tentando se firmar em estúdio. Em setembro de 1973, eles lançaram o primeiro single: “Not Fade Away” (cover do Buddy Holly) no lado A e a faixa autoral “You Can’t Fight It” no lado B.
A curiosidade é que “You Can’t Fight It” acabou virando uma espécie de “ponto fora da curva” na memória do próprio Geddy. Não porque a música tenha virado hit – o compacto não teve grande alcance (a Wikipédia registra que entrou no RPM canadense, mas lá embaixo) – e sim porque o registro em estúdio ficou marcado como frustração.
No livro “My Effin’ Life’ (Amazon), ele volta a esse começo: “Até hoje é doloroso para mim ouvir ‘You Can’t Fight It’. Até dizer que ela soa legal como uma relíquia é uma descrição generosa. Isso me leva direto de volta à decepção que eu senti naquele estúdio, na noite em que ela foi mixada pela primeira vez. Eu estava pensando: ‘O que é isso? Nós fomos castrados!’ Foi chocante o quanto faltavam ali os elementos que nos davam força e tamanho. Não soava como nós de jeito nenhum.”
O mais interessante é que isso não vira uma tese sobre “certo” ou “errado”. Conforme coloca a Far Out, o que isto vira é um registro bem humano de músico ouvindo uma gravação antiga e lembrando exatamente da decepção que sentiu na hora, como se a fita devolvesse o sentimento junto com a música.
E aí dá para entender por que, quando o assunto é “dor de ouvir”, ele não aponta uma fase famosa nem um disco polêmico: ele aponta logo um pedacinho do começo, quando tudo ainda estava sendo decidido no susto – e quando o estúdio, pela primeira vez, mostrou para eles que tocar bem ao vivo não garantia “soar grande” no vinil.
Fonte: https://whiplash.net/materias/news_675/375545-rush.html




