A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta quinta-feira (22), a responsável por uma clínica de estética no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, suspeita de realizar procedimentos invasivos de forma irregular. A investigação é conduzida pela 52ª DP (Nova Iguaçu) e busca esclarecer denúncias de atendimentos feitos por profissionais sem habilitação para esse tipo de intervenção.
Durante a operação, os agentes cumpriram diligências na clínica e na residência da mulher, identificada como Camila Nunes Pereira Marinho. Foram apreendidos medicamentos, ampolas, seringas e materiais que, segundo os investigadores, seriam utilizados em procedimentos como lipoaspiração. A responsável foi presa em flagrante após a localização de medicamentos vencidos.
Paciente relata desmaios durante procedimento
Uma das pacientes ouvidas pela polícia afirmou ter realizado um procedimento divulgado como “hidrolifting”. Segundo o relato, a intervenção teria envolvido a retirada de gordura do abdômen por meio de uma cânula e a aplicação do material na região dos glúteos.
A mulher declarou que recebeu medicamentos sedativos e desmaiou três vezes durante o atendimento. Ela também relatou complicações após outro procedimento estético, incluindo dores e nódulos na região dos glúteos.
De acordo com a Polícia Civil, um exame de corpo de delito confirmou a existência de lesões corporais.
A delegada Kely Goularte, titular da 52ª DP, explicou que a investigação busca verificar se procedimentos anunciados como não invasivos poderiam, na realidade, corresponder a intervenções cirúrgicas, que exigem profissionais habilitados e estrutura apropriada.
Medicamentos controlados foram apreendidos
A investigação começou em 5 de outubro, após uma denúncia de irregularidades no estabelecimento. Na primeira diligência, os policiais apreenderam 16 ampolas de um medicamento controlado utilizado para sedação.
Na operação desta quinta-feira, foram encontrados outros medicamentos e materiais, incluindo cânulas que podem ser utilizadas em lipoaspirações. Os itens serão analisados para auxiliar na apuração das atividades realizadas no local.
Os investigadores também identificaram publicações nas redes sociais que divulgavam os serviços da clínica, além de mensagens em um grupo de clientes nas quais pacientes relatavam dores intensas durante os procedimentos.
Polícia apura suspeita de falsidade documental
Outro ponto investigado é o possível uso indevido dos dados de um profissional apresentado como responsável técnico da clínica. Em depoimento, ele negou ter autorizado o uso de seu nome e de seu carimbo no estabelecimento.
Segundo a Polícia Civil, os procedimentos sob investigação teriam sido realizados por uma estudante de biomedicina e uma fisioterapeuta, cujas qualificações não seriam suficientes para as intervenções analisadas.
A investigação apura possíveis crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e crimes contra as relações de consumo.
Investigação busca identificar outras vítimas
A Polícia Civil continua reunindo depoimentos e analisando os materiais apreendidos para esclarecer as responsabilidades dos envolvidos e identificar possíveis novas vítimas.
A reportagem de O Dia informou que tentava localizar a defesa da clínica e da mulher presa. Até a publicação da notícia, não havia manifestação dos representantes legais.
O caso reforça o alerta das autoridades para que consumidores verifiquem a formação e o registro dos profissionais, além das condições sanitárias do estabelecimento, antes de se submeterem a procedimentos estéticos invasivos.





