O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), iniciou o processo de transição de governo com estudos para reformular a estrutura da Segurança Pública e promover mudanças na organização administrativa do estado. Entre as propostas em análise estão a ampliação do papel da Secretaria de Segurança na coordenação das polícias Civil e Militar e a unificação de secretarias ligadas à infraestrutura, ao turismo e aos esportes.
As primeiras articulações ocorreram nesta terça-feira (13), quando Ruas se reuniu com o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, na sede do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Após o encontro, ele seguiu para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde presidiu a sessão plenária.
Segundo interlocutores ouvidos pelo jornal O Globo, a futura gestão pretende devolver à Secretaria de Segurança Pública o protagonismo no planejamento e na coordenação das ações das polícias estaduais. A equipe também estuda um enxugamento da máquina pública e já avalia nomes para ocupar postos estratégicos do primeiro escalão.
Segurança Pública deve passar por reestruturação
Uma das principais propostas em discussão é concentrar na Secretaria de Segurança a coordenação das polícias Civil e Militar. Nesse modelo, as duas corporações deixariam de ter status de secretarias, e seus comandantes passariam a responder diretamente ao titular da pasta.
A estrutura atual começou a ser modificada em 2019, quando o então governador Wilson Witzel extinguiu a Secretaria de Segurança. A pasta foi recriada em 2023, durante a gestão de Cláudio Castro, mas, segundo fontes do PL, a próxima administração pretende ampliar sua influência sobre o planejamento estratégico das forças policiais.
Policial civil de carreira, Douglas Ruas foi aprovado em concurso em 2012 e atuou na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá.
A intenção, segundo interlocutores, é escolher nomes para a área de Segurança sem vínculos políticos diretos. Para o coronel Ubiratan Ângelo, ex-comandante-geral da Polícia Militar e consultor em segurança pública, uma reestruturação administrativa pode criar condições para o planejamento de uma política de segurança mais efetiva.
Governo avalia unificação de secretarias
O enxugamento administrativo é outra frente de trabalho da equipe de transição. Uma das propostas prevê reunir a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas, a Secretaria das Cidades e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em uma única estrutura.
O prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), aparece entre os nomes mais cotados para comandar a futura pasta. Ele é irmão de Guilherme Delaroli, vice-presidente da Alerj.
Outra possibilidade em análise é a fusão das secretarias de Turismo, Esportes e Eventos. A proposta, no entanto, ainda depende de avaliação sobre sua viabilidade técnica e administrativa.
As mudanças fazem parte de um redesenho mais amplo da estrutura estadual, cujo objetivo, segundo interlocutores, é reorganizar áreas estratégicas e reduzir a fragmentação administrativa.
Primeiros nomes começam a ser discutidos
A composição do primeiro escalão também está em fase de articulação. Para a chefia de gabinete, o nome apontado como favorito é Fábio Araújo, conhecido como Fabinho, aliado histórico da família Ruas e ex-secretário municipal de Governo de São Gonçalo.
Na Secretaria de Estado de Governo, disputam espaço Bruno Bonetti, coordenador da campanha de Ruas e aliado do presidente regional do PL, Altineu Côrtes, e o deputado estadual reeleito Jair Bittencourt (PL), que já ocupou três secretarias durante a gestão de Cláudio Castro.
A atual secretária estadual das Cidades, Maria Gabriela Bessa, também é considerada uma figura importante na nova administração. Ela é cotada para a Casa Civil ou para a Secretaria de Planejamento e foi escolhida para coordenar a equipe de transição.
Para a Secretaria de Fazenda, Ruas avalia a possibilidade de convidar o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. A eventual indicação, porém, ainda dependeria de articulações políticas em Brasília.
Os deputados estaduais reeleitos Gustavo Tutuca (PP), Anderson Moraes (PL) e Jorge Felippe Neto (PL), que participaram da campanha, também são apontados como possíveis integrantes da futura gestão.
Saúde e Educação estão entre os desafios
As escolhas para Saúde, Educação e Segurança Pública são consideradas especialmente delicadas, pois exigem conciliar critérios técnicos e articulação política.
Na Saúde, o deputado federal eleito e ex-prefeito de Mesquita Jorge Miranda é citado como possível nome para a secretaria. A indicação leva em conta a reestruturação da atenção básica realizada durante sua administração municipal, entre 2017 e 2024.
Entretanto, sua eventual nomeação enfrenta ressalvas em razão de uma decisão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), de 2025, relacionada a irregularidades em contratos da área da saúde. Conforme as informações divulgadas, Miranda, um ex-secretário municipal de Saúde e uma empresa foram condenados a devolver R$ 32,3 milhões aos cofres públicos.
Para a Educação, a equipe estuda nomes que ocuparam cargos no ministério da área durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fernanda Louback será secretária de Inclusão e Mulher
Na noite de terça-feira, Douglas Ruas anunciou a primeira integrante de seu secretariado. A vice-governadora eleita, Fernanda Louback, ficará à frente da Secretaria de Estado da Inclusão e da Mulher.
O governador eleito também confirmou Maria Gabriela Bessa como coordenadora da transição. Ela será responsável por organizar o fluxo de informações entre a administração em exercício e a equipe da futura gestão, além de reunir dados necessários ao planejamento dos primeiros meses de governo.
Transição terá acesso a dados das secretarias
O processo de transição foi regulamentado por decreto do governador em exercício, Ricardo Couto. Pelas regras estabelecidas, Douglas Ruas poderá indicar até cinco representantes para integrar a equipe responsável pela preparação da nova administração.
Os secretários estaduais têm até o dia 30 para apresentar informações sobre as contas públicas, projetos em andamento ou interrompidos e decisões que deverão ser tomadas nos primeiros 100 dias da próxima gestão.
Pelo governo atual, participarão representantes da Casa Civil, do Planejamento e Gestão, da Fazenda, da Infraestrutura e Obras Públicas e da Procuradoria-Geral do Estado.
A reunião entre Ruas e Couto durou pouco mais de uma hora e meia. Ao chegar ao Tribunal de Justiça, o governador eleito classificou o encontro como uma primeira conversa de transição e afirmou que mantém uma boa relação com o desembargador.
Na Alerj, Ruas defendeu a união entre os poderes e prometeu manter o diálogo com os parlamentares. Com as primeiras decisões administrativas e indicações em andamento, a equipe começa a definir as prioridades e o formato da futura gestão estadual.





