

As primeiras análises publicadas logo após o pleito apontam que Gilberto Kassab e a primeira-dama Janja Lula da Silva foram osprincipais derrotados do primeiro turno das eleições de 2026. Embora Kassab tente minimizar o revés exaltando governadores eleitos, o enfraquecimento de sua estratégia de centro. De grande articulador do centro a um dos maiores alvos de desgaste, a estratégia do presidente nacional do PSD falhou em frentes cruciais: O fiasco da chapa presidencial: Kassab que se auto-escalou como vice na chapa pura de Ronaldo Caiado (PSD), que terminou em um distante 5º lugar, angariando meros 2,18% dos votos válidos.
A infeliz declaração de Kassab, então candidato a vice-presidente na chapa de Caiado, em 14/08 dizendo que Flavio não teria chances contra Lula pegou muito mal – passou a impressão que apenar de candidato na chapa do PSD, torcia loucamente pela eleição de Lula. Esse erro custou caro, o PSD sofreu uma derrocada severa no Senado. O partido de Kassab foi a legenda que mais perdeu cadeiras no Senado Federal. A bancada derreteu de 14 senadores para apenas 5 parlamentares a partir de 2027 (uma perda líquida de 9 cadeiras).
Os grandes players da política nacional – em especial Valdemar costa Neto – viram Kassab perder musculatura ao ver aliados fortes sofrerem reveses (como Ratinho Jr. no Paraná) e perder espaço privilegiado no governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo. O isolamento político do velho cacique é evidente, Caiado nem o esperou e anunciou apoio à Flavio Bolsonaro no 2º turno.
A DESLUMBRADA.
A vaidade aparentemente sem limites e a superexposição da primeira dama Janja no palanque petista atraíram fortes críticas internas e da mídia especializada. O resultado do primeiro turno transformou a campanha de Lula em um ambiente de forte cobrança, elegendo a primeira-dama como um dos pivôs do desempenho abaixo do esperado. Em reuniões da cúpula petista pós-votação, aliados criticaram abertamente o excesso de espaço de Janja em detrimento de figuras moderadas. A ex-senadora Kátia Abreu sintetizou o sentimento defendendo a estratégia de “menos Janja e mais Alckmin” para atrair o eleitorado de centro.
Mimada e sem o devido preparo para tanto protagonismo aliados culpam as falas de Janja — que usou termos agressivos contra opositores como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro — por inflamar e municiar as redes da direita radical, em vez de atrair indecisos. Ao invés de aproveitar a deixa fornecida pela ex-ministra Katia Abreu e adotar uma postura mais condizente com uma 1ª dama, Janja como sempre optou por dobrar a aposta.
Sem consultar ninguém, ela trouxe para coordenação da campanha de Lula a jovem, porém extremante radical, Ana Elisa (PT-MG). A jovem bolchevique não durou nem 24 horas e foi dispensada. Janja ainda não sabe, mas quando a vitória de Flávio se concretizar ela será responsabilizada pela derrota, não pela direita, mas pelos próprios petistas.
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Eduardo Negrão é jornalista e analista político.





