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Operação mira esquema de tráfico de armas e drogas do Comando Vermelho com suspeita de participação de PMs

Ação da Polícia Civil cumpre mandados em endereços ligados aos investigados, incluindo batalhões da PM; três pessoas foram presas

Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, realizada nesta terça-feira, investiga uma rede criminosa suspeita de comprar, transportar e distribuir grandes quantidades de drogas e armas para o Comando Vermelho (CV). Segundo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o esquema contaria com a participação de policiais militares. Até o momento, três pessoas foram presas.

Os agentes cumprem mandados de prisão em endereços ligados aos investigados, incluindo instalações de batalhões da Polícia Militar. A ação conta com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e da Corregedoria da Polícia Militar.

Apreensão de cocaína deu início à investigação

As investigações começaram em outubro de 2023, após a apreensão de mais de 100 quilos de cocaína durante uma abordagem na Avenida Brasil, no Rio. Na ocasião, foram presos em flagrante o então sargento da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, posteriormente assassinado, e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko.

Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram indícios de que a apreensão fazia parte de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e atuação coordenada entre os integrantes.

Segundo a DRE, Kiko mantinha contato direto com lideranças do Comando Vermelho para viabilizar o transporte e o abastecimento de drogas em territórios dominados pela facção. A análise de dados telemáticos e interceptações telefônicas também identificou conversas com Manoel Cinquine Pereira, o Paulista, apontado pela polícia como um dos chefes do grupo criminoso no Complexo da Penha, na Zona Norte da capital.

Policiais são suspeitos de fornecer informações privilegiadas

De acordo com a investigação, policiais militares teriam repassado informações privilegiadas e participado de negociações clandestinas envolvendo armas e munições.

Entre os denunciados pelo Ministério Público está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como integrante do esquema.

Os investigadores também identificaram Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, suspeito de chefiar o tráfico de drogas em comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Segundo a DRE, ele teria mantido vínculos com integrantes da rede criminosa para obter informações sobre operações policiais. Parte desses dados teria sido repassada por Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, que, conforme a investigação, teria utilizado sua condição de policial militar para favorecer as atividades da facção.

Outros três denunciados — Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como Do Serrão — são apontados como integrantes do braço armado do Comando Vermelho. Eles seriam responsáveis por atividades como a segurança de lideranças do tráfico e a vigilância de áreas controladas pelo grupo.

PM investigado foi morto com mais de 20 tiros

Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, um dos principais investigados no esquema, foi assassinado em 12 de julho de 2026, no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio.

O policial foi encontrado morto dentro do próprio carro, com o motor ligado, após ser atingido por mais de 20 disparos de arma de fogo.

Na época, informações levantadas pela polícia indicaram que o sargento estava na entrada do condomínio onde morava quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e atiraram contra ele. Desiderati era lotado no 21º BPM, em São João de Meriti.

A investigação sobre o homicídio ficou sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

A operação desta terça-feira busca aprofundar as apurações sobre a estrutura criminosa e responsabilizar os envolvidos no suposto esquema de abastecimento do Comando Vermelho com drogas, armas e munições.

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