A disputa judicial envolvendo o canal “Exército do Lula” e as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificou-se nas últimas semanas, à medida que o cenário eleitoral de 2026 se torna cada vez mais tenso. A assessoria técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não encontraram evidências de compartilhamento de notícias falsas no mencionado canal, que cresceu exponencialmente, passando de 50 mil para 3,9 milhões de participantes no WhatsApp.
O canal, criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), virou um espaço focal de mobilização para apoiadores de Lula, que buscam reverter a desvantagem nas urnas. No entanto, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) alegou que o canal estava sendo utilizado para a disseminação de desinformação em massa, o que levou à suspensão temporária do grupo por Kassio Nunes Marques, presidente do TSE.
Após a suspensão, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, desautorizou Nunes Marques, indicando que não haviam provas suficientes para justificar a suspensão do canal. O parecer da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE revelou que, entre 2 e 11 de outubro de 2026, não foram encontradas publicações que corroborassem as alegações feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro.
O conteúdo analisado pela assessoria incluiu textos de mensagens, miniaturas de vídeos e áudios transcritos, concluindo que as reivindicações feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro não estavam presentes nas comunicações do canal durante o período mencionado.
As eleições de 2026 se tornaram um marco na judicialização política, com 698 processos envolvendo os principais candidaturas já registrados até 4 de outubro. Especialistas têm criticado a decisão de suspensão do canal como uma violação da liberdade de expressão, enfatizando a importância de uma abordagem equilibrada em casos de alegações de desinformação.
Enquanto isso, a campanha de Lula se aproveita do canal, que se expandiu rapidamente sob a orientação de Janones. O deputado distribui orientações sobre como viralizar postagens nas redes sociais e utiliza audiovisuais para motivar seus seguidores a impulsionar as mensagens do partido.
A assessoria do TSE alertou que práticas como a mobilização centralizada devem ser examinadas à luz do termo de compromisso assinado pela Meta, a empresa mãe do WhatsApp. As diretrizes estipulam que canais podem ser suspensos caso violem a política da plataforma, especialmente em situações que envolvem desinformação deliberada.
Com a rápida evolução da situação, uma reunião entre as equipes jurídicas das campanhas de Lula e Flávio está agendada, onde questões sobre desinformação e a integridade das eleições de 2026 devem ser debatidas. O cenário é um lembrete da complexidade da interseção entre política, legislação e tecnologia na era digital.


