Rede Américas incorpora 14 especialistas e aposta em tecnologia, pesquisa clínica e atendimento integrado para acompanhar avanço dos casos de câncer
A expansão dos casos de câncer no Brasil tem impulsionado mudanças na forma de diagnóstico e tratamento da doença. Com cerca de 700 mil novos casos estimados por ano e o envelhecimento da população, a oncologia enfrenta o desafio de ampliar o atendimento e, ao mesmo tempo, acompanhar o avanço de terapias e tecnologias cada vez mais personalizadas.
Nesse cenário, a Rede Américas ampliou sua estrutura de atendimento oncológico no Distrito Federal. A rede incorporou 14 novos especialistas — oito oncologistas e seis hematologistas — e reforçou os serviços oferecidos em três unidades na capital.
A proposta é concentrar diferentes etapas do tratamento em uma mesma estrutura, desde a investigação e o diagnóstico até cirurgias, quimioterapia, imunoterapia e acompanhamento multidisciplinar.
Atendimento integrado busca facilitar jornada do paciente
Segundo Gustavo Fernandes, vice-presidente de Oncologia da Rede Américas e oncologista clínico do Hospital Brasília, os três hospitais gerais da rede — Hospital Brasília, Hospital Brasília Unidade Águas Claras e Hospital Alvorada Brasília — contam com centros especializados em oncologia.
A ideia, explica o médico, é evitar que o paciente precise buscar diferentes serviços para cada etapa do tratamento. A estrutura reúne exames de imagem, biópsias, consultas, cirurgia e tratamentos medicamentosos.
O acompanhamento também é coordenado por enfermeiros navegadores e integrado a um prontuário único, com um plano terapêutico definido pela equipe médica.
A rede também conta com estrutura para procedimentos de média e alta complexidade, incluindo unidades de terapia intensiva, cirurgia robótica e equipamentos de diagnóstico por imagem.
Pesquisa amplia acesso a tratamentos inovadores
Outro destaque apontado pelo especialista é a pesquisa clínica. Segundo Fernandes, Brasília já possui mais de uma dezena de protocolos e estudos em andamento, possibilitando que pacientes tenham acesso a medicamentos inovadores antes de sua chegada ao mercado comercial.
O médico destaca que a pesquisa clínica brasileira ganhou relevância internacional e considera o acesso a novos tratamentos um dos principais avanços recentes da oncologia.
Entre os exemplos está o melanoma metastático. De acordo com Fernandes, há cerca de uma década apenas uma parcela pequena dos pacientes permanecia viva cinco anos após o diagnóstico. Atualmente, mais da metade pode ser curada em determinados cenários.
O avanço também é observado no câncer de pulmão, com pacientes com doença metastática que conseguem viver por mais de uma década mantendo boa qualidade de vida, segundo o especialista.
Terapias-alvo ampliam opções contra o câncer
Os tratamentos direcionados a alterações genéticas específicas também mudaram o cenário da oncologia. Fernandes cita as mutações no gene KRAS, presentes em uma parcela significativa dos tumores gastrointestinais e em diferentes outros tipos de câncer.
Medicamentos como adagrasibe e sotorasibe passaram a atuar diretamente sobre determinadas alterações do gene, abrindo novas possibilidades de tratamento para pacientes selecionados a partir do perfil molecular do tumor.
No câncer de pâncreas, considerado um dos tumores de maior gravidade, o especialista também aponta avanços importantes. Novos esquemas de quimioterapia já ampliaram a sobrevida em relação aos tratamentos utilizados no passado, enquanto terapias direcionadas a mutações específicas começam a apresentar resultados em determinados pacientes.
A identificação das alterações responsáveis pela resistência aos medicamentos também permite que pesquisadores desenvolvam novas estratégias para bloquear a progressão da doença.
Envelhecimento aumenta desafio para a saúde
Para Fernandes, o envelhecimento da população deve contribuir para o crescimento da incidência de câncer nas próximas décadas. A idade é considerada um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença, e a maior parte dos diagnósticos ocorre entre 60 e 65 anos.
No Brasil, são estimados cerca de 700 mil novos casos por ano, número que reforça a necessidade de ampliar a capacidade de diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
O médico também destaca a importância da prevenção. Alimentação equilibrada, atividade física, redução do consumo de álcool e abandono do cigarro estão entre os hábitos associados à redução de riscos e à melhoria da qualidade de vida.
Obesidade e câncer
Fernandes também chama atenção para a relação entre obesidade, diabetes e câncer. Segundo ele, estudos recentes apontam associação entre o controle da obesidade com medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 e uma redução na incidência de determinados tipos de câncer em pessoas com obesidade.
O especialista ressalta, porém, que o uso desses medicamentos deve ocorrer com acompanhamento médico e ser associado a cuidados para preservar a massa muscular e manter a saúde metabólica.
Para ele, a combinação entre prevenção, diagnóstico precoce, tratamentos personalizados, pesquisa e atendimento integrado representa um dos principais caminhos para enfrentar o crescimento dos casos de câncer e ampliar a qualidade de vida dos pacientes.





