O advogado Nelson Wilians e a empresa de apostas PixBet são alvos da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal relacionado à exploração de apostas esportivas e jogos de azar.
Ao todo, a PF cumpre 17 mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara Federal da Paraíba. Também foram determinadas quebras de sigilos bancário e telemático e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores.
As ações ocorrem em São Paulo, Paraíba, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.
Casa de Nelson Wilians é alvo de busca
A residência de Nelson Wilians, no Jardim Europa, área nobre da Zona Oeste de São Paulo, foi alvo das buscas nesta quinta-feira.
O advogado já havia sido investigado em outras duas operações. Em julho deste ano, sua residência foi alvo de uma ação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP), que apura uma suposta fraude de R$ 3,8 bilhões envolvendo créditos falsos de ICMS.
Em setembro de 2025, Wilians também foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Qual é a suspeita nesta operação?
De acordo com os investigadores, uma estrutura formada por empresas no Brasil e no exterior teria sido utilizada para ocultar a origem e o destino de dinheiro movimentado com apostas esportivas e jogos de azar.
A investigação aponta que algumas operações teriam sido registradas como se fossem realizadas fora do Brasil, embora a administração e as principais decisões dos negócios fossem tomadas em território nacional.
Segundo a força-tarefa, empresas sediadas no exterior também teriam sido usadas para justificar grandes transferências internacionais. Os investigadores afirmam que algumas dessas companhias não apresentavam atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.
Para dificultar o rastreamento do dinheiro, o grupo teria utilizado instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e empresas offshore.
PixBet e Nelson Wilians
A PixBet, controlada pelo empresário Ernildo Junior, também é alvo da operação. A empresa já havia sido investigada na Paraíba por suspeitas de lavagem de dinheiro e apareceu nas investigações da CPI do INSS.
Nelson Wilians mantém relações profissionais com a empresa e com seu controlador. O advogado também foi sócio de Fernando Cavalcanti, investigado no esquema envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Cavalcanti, por sua vez, comandou a fintech XBank Digital em parceria com Ernildo Junior. Wilians também teve participação societária na empresa.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Nelson Wilians afirmou que a relação entre o escritório do advogado e a PixBet é “estritamente profissional”, decorrente da prestação de serviços jurídicos.
Segundo os advogados, a atuação do escritório se limita ao exercício regular da advocacia e não se confunde com as atividades empresariais dos clientes investigados.
A defesa também destacou que é necessário ter cautela para evitar que o exercício legítimo da advocacia seja indevidamente tratado como atividade criminosa.
A PixBet ainda não havia se manifestado sobre a operação.

Foto: Divulgação/Polícia Federal
Investigação também apura sonegação
Além da lavagem de dinheiro e da evasão de divisas, os investigadores identificaram indícios de sonegação fiscal.
A suspeita é de que estruturas empresariais tenham sido utilizadas para esconder receitas e reduzir ou evitar o pagamento de impostos relacionados aos valores obtidos com apostas e jogos de azar.
A Receita Federal, que participa da força-tarefa, afirmou que, embora o mercado de apostas de quota fixa tenha passado por um processo recente de regulamentação no Brasil, há indícios de que atividades do setor já eram realizadas anteriormente com mecanismos destinados a ocultar operações, receitas e os beneficiários finais.
As investigações continuam para identificar a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e a eventual participação de outras pessoas e empresas no esquema.





