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Cansaço, insônia e alterações de humor podem indicar problemas na tireoide

Glândula influencia metabolismo, memória, sono, fertilidade e vida sexual; sintomas muitas vezes são confundidos com outros problemas

Pequena, com cerca de 20 gramas e formato semelhante ao de uma borboleta, a tireoide tem um papel importante no funcionamento do organismo. Localizada na parte da frente do pescoço, a glândula produz os hormônios T3 e T4, que participam do controle do metabolismo, da temperatura corporal, dos batimentos cardíacos, do intestino, da fertilidade e de funções cerebrais como memória, atenção e equilíbrio emocional.

Por isso, alterações na produção desses hormônios podem provocar sintomas em diferentes partes do corpo. O problema é que muitos deles são comuns a outras condições e acabam passando despercebidos.

Hipotireoidismo pode surgir aos poucos

Quando a tireoide produz menos hormônios do que o necessário, ocorre o hipotireoidismo. Os sinais costumam aparecer gradualmente e incluem:

  • Cansaço persistente;
  • Dificuldade de concentração e raciocínio;
  • Esquecimentos;
  • Sonolência excessiva;
  • Alterações de humor e depressão;
  • Pele ressecada;
  • Queda de cabelo;
  • Unhas frágeis;
  • Intestino preso;
  • Sensibilidade maior ao frio.

Segundo o tireoidologista Helton Ramos, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), como os sintomas são inespecíficos, é comum que sejam atribuídos a outras causas, atrasando a identificação do problema.

Em alguns casos, os exames apresentam alterações mesmo sem sintomas perceptíveis. É o chamado hipotireoidismo subclínico. A condição pode estar associada ao aumento do colesterol e a alterações cardiovasculares, além de aumentar o risco de evolução para o hipotireoidismo manifesto.

O ganho de peso também é frequentemente relacionado ao problema, mas especialistas alertam que, quando ocorre, geralmente é discreto, em torno de 2 a 5 quilos, e não costuma explicar casos de obesidade.

Hipertireoidismo acelera o organismo

No hipertireoidismo, ocorre o contrário: a tireoide produz hormônios em excesso e acelera diversas funções do organismo.

Os sintomas podem incluir:

  • Irritabilidade;
  • Insônia;
  • Tremores nas mãos;
  • Palpitações;
  • Inquietação;
  • Perda de peso;
  • Fraqueza muscular.

Em pessoas idosas, os sinais podem ser menos evidentes e aparecer principalmente como cansaço, fraqueza muscular ou alterações cardíacas.

Uma das principais causas do hipertireoidismo é a doença de Graves, uma doença autoimune que também pode afetar os olhos. Vermelhidão, lacrimejamento, inchaço nas pálpebras e sensibilidade à luz estão entre os sintomas. Em casos mais graves, os olhos podem ficar mais projetados para fora, condição conhecida como exoftalmia.

 A tireoide é formada por dois lóbulos e apresenta um formato que lembra uma borboleta.

Tireoide também pode afetar a vida sexual

Os distúrbios da tireoide são mais frequentes em mulheres, podendo provocar irregularidade menstrual, redução da libido e dificuldades para engravidar.

Nos homens, tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem estar relacionados à redução do desejo sexual, alterações na qualidade dos espermatozoides, dificuldade de ereção e problemas de fertilidade.

Segundo especialistas, em muitos casos essas alterações melhoram depois que a doença da tireoide é adequadamente tratada.

Nódulos nem sempre causam sintomas

Nódulos na tireoide e alterações na produção hormonal muitas vezes não provocam sinais perceptíveis. Quando a glândula aumenta de tamanho, pode surgir uma saliência na parte da frente do pescoço, principalmente durante a deglutição.

Alguns sinais merecem atenção, como:

  • Nódulo endurecido;
  • Crescimento rápido da alteração;
  • Rouquidão persistente;
  • Dificuldade para engolir;
  • Aumento de gânglios no pescoço.

Apesar da preocupação que os nódulos podem causar, a maioria é benigna. Segundo especialistas, entre 90% e 95% dos nódulos tireoidianos não é cancerígena. Mesmo nos casos de câncer, os tipos mais comuns apresentam altas taxas de cura quando identificados e tratados adequadamente.

Como é feito o diagnóstico

A investigação de alterações na tireoide geralmente começa com exames de sangue que avaliam o TSH e os hormônios T3 e T4 livre. Dependendo da suspeita, também podem ser solicitados exames de anticorpos para identificar doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves.

O ultrassom é utilizado para avaliar o tamanho e a estrutura da glândula e identificar possíveis nódulos.

Chá e suplemento não substituem tratamento

Especialistas alertam que não existem evidências de que chás, suplementos ou fórmulas comercializadas na internet sejam capazes de tratar doenças da tireoide.

Nutrientes como iodo e selênio são importantes para o funcionamento da glândula, mas tanto a deficiência quanto o excesso podem causar problemas. Por isso, a suplementação deve ser feita somente com orientação profissional.

Uma alimentação equilibrada e o acompanhamento médico são medidas importantes, principalmente para pessoas com histórico familiar de doenças da tireoide.

Autoexame pode ajudar a identificar alterações

O autoexame não substitui uma avaliação médica, mas pode ajudar a perceber alterações na região do pescoço.

Em frente ao espelho, incline levemente o queixo para cima e observe a área abaixo do pomo de Adão e acima das clavículas. Depois, tome um gole de água e engula enquanto observa e toca suavemente a região.

A presença de abaulamentos, assimetrias ou alterações persistentes deve ser avaliada por um profissional de saúde.

O tratamento depende da causa e do tipo de alteração. Hipotireoidismo e hipertireoidismo costumam ser tratados com medicamentos, enquanto alguns casos de hipertireoidismo podem exigir iodo radioativo ou cirurgia.

A identificação precoce é importante para reduzir o risco de complicações e preservar a qualidade de vida.

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