Cidades

Ataques em vez de propostas: o desgaste da política do confronto

À medida que a campanha eleitoral ganha força no Rio de Janeiro, cresce também o número de candidatos que apostam na polarização e no confronto como principal estratégia de comunicação. Em vez de apresentar projetos, discutir soluções para os problemas da população ou prestar contas de suas ideias, alguns pré-candidatos parecem acreditar que atacar adversários é o caminho mais curto para conquistar visibilidade.

Um dos exemplos recentes é o de Gabriel Costenaro, que tem utilizado suas redes sociais para publicar vídeos direcionando críticas a parlamentares, entre eles a deputada federal Jandira Feghali. A estratégia tem gerado repercussão, mas também levantado questionamentos sobre o nível do debate político que está sendo apresentado aos eleitores.

A crítica faz parte da democracia e é um instrumento legítimo da atividade política. No entanto, quando a comunicação passa a ser predominantemente baseada em confrontos e ataques a outros candidatos, abre-se espaço para que propostas concretas fiquem em segundo plano. O eleitor deixa de conhecer soluções para problemas como saúde, segurança, educação, mobilidade urbana e geração de empregos para acompanhar uma disputa centrada em polêmicas.

Especialistas em comunicação política apontam que conteúdos de confronto costumam gerar grande alcance nas redes sociais, mas isso não significa, necessariamente, que se convertam em confiança do eleitor. Ao contrário, uma parcela significativa da população demonstra cansaço com campanhas marcadas por provocações constantes e espera representantes capazes de dialogar, construir e apresentar resultados.

A exposição frequente de adversários políticos pode até produzir engajamento momentâneo, mas também pode transmitir a impressão de que o candidato depende mais da imagem de outras lideranças do que da força de suas próprias propostas. Em um processo eleitoral, a credibilidade é construída pela capacidade de convencer o eleitor com ideias consistentes, preparo técnico e compromisso com a população.

O momento exige responsabilidade de todos os que disputam um cargo público. O eleitor fluminense precisa conhecer projetos, metas e compromissos concretos para o futuro do estado, e não apenas acompanhar uma sucessão de vídeos dedicados a confrontar outros nomes da política.

No fim das contas, campanhas baseadas prioritariamente em ataques podem até conquistar curtidas e compartilhamentos, mas dificilmente substituem aquilo que realmente define um bom representante: competência, propostas e capacidade de governar. Em uma democracia madura, o protagonismo deve pertencer às ideias, e não às ofensas ou ao permanente confronto entre adversários.

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