Luiza Kellmann
Há 66 milhões de anos, o destino da vida na Terra mudou quando um asteroide de aproximadamente dez quilômetros de largura atingiu a Península de Yucatán, no atual México. O evento, conhecido como o impacto de Chicxulub, encerrou o longo reinado dos dinossauros e abriu caminho para a era dos mamíferos.
Durante décadas, a ciência tentou e tenta entender se esse fim foi um processo lento, causado por invernos rigorosos e falta de comida, ou uma catástrofe imediata. Conforme um novo estudo publicado no periódico Journal of Geophysical Research: Biogeosciences, a balança agora pende para um cenário de calor extremo e fulminante, revelando que o processo foi rápido.
Impacto de força colossal
A colisão liberou uma energia equivalente a 100 teratons de TNT, uma força superior a um bilhão de bombas atômicas de Hiroshima. O choque abriu uma cratera profunda e lançou cerca de 25 trilhões de toneladas métricas de detritos na atmosfera.
Enquanto parte desse material retornava à superfície como projéteis incandescentes, uma imensa nuvem de vapor de rocha se espalhava pelo céu. Segundo informações divulgadas pelo veículo Popular Science, essa névoa gasosa funcionou como um isolante térmico mortal, elevando a temperatura da superfície terrestre a níveis letais de forma muito mais rápida do que se acreditava anteriormente.
O calor que incinera
Essa nova evidência sugere que o superaquecimento da atmosfera foi o principal responsável pela morte em massa, superando até o efeito dos detritos sólidos. O cientista planetário da Universidade de Purdue e coautor da pesquisa, Brandon Johnson, explica que a letalidade foi quase instantânea:
“Estamos no reino onde poderíamos estar essencialmente matando tudo dentro daquela primeira hora ou duas”, afirmou Brandon Johnson ao descrever o impacto devastador nas espécies terrestres.
Para os seres vivos daquela época, as chances de sobrevivência foram reduzidas drasticamente em questão de minutos.
Efeito de garrafa térmica
O estudo propõe uma dinâmica curiosa: o planeta se comportou como uma garrafa térmica, que mantém tanto o calor quanto o frio. Após o incêndio global inicial provocado pelo vapor superaquecido, a poeira que permaneceu suspensa bloqueou a luz solar por anos, mergulhando a Terra em um inverno prolongado.
Embora a teoria do cozimento rápido ganhe força, especialistas como o paleontólogo Alessandro Chiarenza, da University College London, ressaltam que ainda faltam evidências físicas globais, como registros de carvão vegetal em outros continentes além da América do Norte:
“Pode ser que eventualmente encontremos o registro de incêndios florestais completamente globais”, observou Alessandro, indicando que a investigação sobre o fim desses gigantes ainda reserva novas descobertas.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes





