Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou indícios de uma relação próxima entre policiais militares de alta patente e suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações foram divulgadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, com base em mensagens obtidas pela Polícia Federal.
Segundo a investigação, as conversas mostram troca de favores, convites para viagens e indícios de pagamento de propina envolvendo integrantes da facção criminosa e oficiais da Polícia Militar.
Coronel da reserva é apontado como elo
No centro das apurações está o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, aposentado da PM desde 2019. De acordo com o Ministério Público, ele mantinha contato frequente com Kleber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, presos na última semana durante operação contra o crime organizado.
Os investigadores apontam Kleber como operador financeiro de esquemas ligados ao PCC, enquanto Robson seria responsável por intermediar pagamentos destinados a agentes públicos.
As mensagens analisadas mostram que Luiz Carlos ofereceu hospedagem aos investigados em colônias de férias exclusivas para oficiais da Polícia Militar, em viagens para Campos do Jordão, em 2020, e Boraceia, no litoral paulista, em 2022.
Em outro diálogo, registrado em 2023, Kleber envia ao coronel a fotografia de um oficial da PM. Em resposta, Luiz Carlos afirma que conhecia o policial e se dispõe a aproximá-los. Para o Ministério Público, a conversa indica que o coronel utilizava sua rede de contatos para beneficiar os investigados.
Suspeita de pagamento de propina
Outro trecho da investigação traz a imagem de uma sacola com dinheiro acompanhada da indicação do valor de R$ 270 mil.
Segundo os promotores, há suspeitas de que a quantia tenha origem em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e fosse destinada ao coronel Luiz Carlos Pereira Martins e ao coronel José Augusto Coutinho.
Coutinho, que já comandou a Polícia Militar e a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), também aparece em outra frente de investigação por supostas ligações com um doleiro foragido.
Além disso, ele é alvo de apuração da Corregedoria da PM por suspeita de prestar segurança privada a uma empresa de ônibus apontada como ligada ao PCC e de repassar informações que teriam facilitado a fuga de Marcos Roberto de Almeida, o “Tuta”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção.
Investigação continua
As mensagens também indicam que Kleber mencionava a necessidade de obter recursos para pagar policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), informação que também passou a ser investigada pelo Ministério Público.
Em nota, a defesa de Kleber Azevedo dos Santos negou qualquer vínculo do cliente com o PCC. Já os advogados do coronel José Augusto Coutinho afirmaram que as citações presentes nas conversas são indiretas e não comprovam a prática de crimes.
Até a publicação desta reportagem, as defesas de Robson Martins de Souza e do coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins não haviam se manifestado sobre o caso.




