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PF antecipou operação após sanções dos EUA contra PCC, diz diretor-geral

Andrei Rodrigues afirmou que ofensiva contra esquema de lavagem de R$ 10,4 bilhões foi antecipada após medidas dos Estados Unidos. Principal alvo segue foragido

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que a corporação antecipou a deflagração da Operação Exchange após os Estados Unidos classificarem e sancionarem suspeitos de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo Rodrigues, a decisão norte-americana influenciou diretamente o planejamento da operação. “A classificação alterou nossa ação. Não posso entrar em detalhes operacionais por conta do sigilo da investigação. Mas, de fato, se não houvesse essa classificação, acredito que o desfecho teria sido outro e nós teríamos localizado ele”, declarou durante um café com jornalistas.

A fala faz referência ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, conhecido como “Japa”, sócio da empresa Victory Trading. Apontado pelas investigações como um dos principais elos entre o PCC e o sistema financeiro internacional, ele continua foragido.

A Operação Exchange mobilizou mais de 50 policiais federais para cumprir 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. As ordens judiciais, expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, foram cumpridas na capital paulista e nos municípios de Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Até o momento, sete pessoas foram presas. Entre elas está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, conhecida como “Lara Croft”, apontada como responsável por atuar como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro para a organização criminosa.

Em razão da dimensão financeira do esquema, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10,4 bilhões em bens, valores e criptoativos dos investigados — considerado um dos maiores sequestros patrimoniais já realizados em investigações da Polícia Federal. Segundo as apurações, o grupo utilizava uma estrutura com mais de 70 empresas para ocultar a origem dos recursos, além de movimentar ativos digitais e transportar dinheiro em espécie.

De acordo com o governo dos Estados Unidos, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões), utilizando criptomoedas e o sistema bancário norte-americano para enviar os recursos ao Brasil em benefício da facção criminosa.

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