
Apesar de ter como foco a investigação da atuação do crime organizado no país, o relatório não propõe o indiciamento de outros investigados além das quatro autoridades. Segundo o texto, os citados teriam adotado “condutas consideradas incompatíveis com o exercício de suas funções”, o que motivou a inclusão de seus nomes entre os responsabilizados.
Sobre o caso Master, a opção apontada pelo relator foi por relatar os fatos identificados, que deverão ser objeto de CPI própria e já são objeto de investigações da Polícia Federal, “no que se refere a crimes comuns, e fazer o indiciamento de autoridades pela prática de crimes de responsabilidade”. O relatório aponta movimentações bilionárias suspeitas e o uso de mecanismos sofisticados, como fintechs, criptomoedas e fundos de investimento, para ocultação de recursos ilícitos.
No caso de Alexandre de Moraes, o documento aponta suposta atuação em processos nos quais haveria impedimento, além de possível interferência para restringir o alcance das investigações da CPI. Já Dias Toffoli é citado por decisões em situações que indicariam conflito de interesses. Em relação a Gilmar Mendes, o relatório menciona medidas que teriam comprometido apurações. Quanto ao procurador-geral Paulo Gonet, a comissão aponta suposta omissão diante de indícios considerados relevantes.
O relatório também traça um diagnóstico amplo da atuação do crime organizado no Brasil. Segundo o senador Alessandro Vieira, o documento evidencia a infiltração dessas organizações em setores econômicos e no próprio Estado. A CPI identificou a atuação de cerca de 90 organizações criminosas, com presença em 24 estados e no Distrito Federal, além de estimar que 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sob influência dessas estruturas.
O documento ainda apresenta propostas para fortalecer o combate ao crime organizado, incluindo mudanças legislativas, ampliação de instrumentos de bloqueio de ativos, aumento de penas para lavagem de dinheiro e maior transparência financeira. Também sugere medidas estruturais, como a criação de um Ministério da Segurança Pública e maior integração entre órgãos de inteligência. Ao final, o relatório será encaminhado às autoridades competentes e deve subsidiar políticas públicas voltadas à segurança no país.
A comissão foi instalada em novembro de 2025, e investigou a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no Brasil. Foram ouvidas autoridades federais, governadores, especialistas e representantes das forças de segurança. As investigações incluíram temas como lavagem de dinheiro, infiltração em setores econômicos e falhas na integração entre órgãos de inteligência e repressão.




