
Artigo da professora da FGV EAESP, Ana Carolina Pires de Aguiar, publicado na revista GV Executivo discute como o avanço da inteligência artificial tem intensificado a necessidade de desenvolvimento de habilidades essencialmente humanas, com destaque para a escuta ativa como competência central na liderança contemporânea.
Em um contexto marcado pelo excesso de informação e pela aceleração tecnológica, a experiência, entendida como aquilo que nos atravessa e gera aprendizado, torna-se cada vez mais rara. A hiperconectividade e a busca constante por produtividade reduzem o espaço para reflexão, escuta e construção de relações profundas, elementos fundamentais para uma liderança mais humanizada.
O debate ganha relevância à medida que a inteligência artificial amplia a automação de tarefas técnicas e analíticas, ao mesmo tempo em que evidencia a importância de competências interpessoais. Estudos indicam que habilidades como empatia e escuta ativa apresentam baixo potencial de substituição por tecnologias, consolidando-se como diferenciais estratégicos no ambiente organizacional.
Nesse cenário, especialistas alertam para os riscos da desumanização da liderança, especialmente quando ela é reduzida à busca por resultados e eficiência. A adoção de tecnologias sem o devido equilíbrio pode intensificar relações impessoais e enfraquecer vínculos entre líderes, equipes e organizações. Por outro lado, a valorização de aspectos humanos, como a escuta qualificada, contribui para fortalecer conexões, promover engajamento e melhorar a gestão de conflitos.
A escuta ativa, nesse contexto, vai além de simplesmente ouvir. Trata-se de uma escolha consciente que envolve atenção plena, compreensão do outro e abertura ao diálogo. Essa prática favorece ambientes mais colaborativos, amplia a confiança e estimula a participação das equipes, fatores essenciais para organizações que buscam inovação e sustentabilidade.
O artigo também destaca que, apesar dos avanços tecnológicos, há uma crescente expectativa dos profissionais por lideranças mais empáticas, capazes de promover bem-estar, inclusão e comunicação transparente. No entanto, muitos líderes ainda se sentem despreparados para atender a essas demandas, o que reforça a necessidade dessas competências.




