
Desde que Moraes passou a integrar a mais alta instância do Poder Judiciário, em março de 2017, o ministro e a mulher tiveram aumento de 266% do patrimônio imobiliário, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Hoje, o casal possui 17 imóveis, avaliados em R$ 31,5 milhões. Nos últimos cinco anos, o casal teria investido R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e em São Paulo, todos eles à vista. As informações foram reveladas pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado.
O caso Master não desgasta apenas o Supremo, a rede de contatos estabelecida pelo banco junto a figuras centrais da política e da economia alimenta muitas especulações sobre a delação premiada que o banqueiro Daniel Vorcaro negocia com o ministro André Mendonça. Entre 2023 e 2025, foram identificados cerca de R$ 65 milhões repassados a escritórios e empresas ligados a nomes como Michel Temer (R$ 10 milhões), Henrique Meirelles (R$ 18,5 milhões), Guido Mantega (R$ 14 milhões), além de pagamentos a ACM Neto, Antonio Rueda e Fabio Wajngarten.
Saia justa
Todos os contratos têm regularidade contratual, o que descarta a hipótese penal, porém, permanece a questão da ética pública e das aparências institucionais. O Banco Master não operava apenas como instituição financeira, mas como um hub de conexões com o sistema político e jurídico. Nesse contexto, o envolvimento de ministros e seus familiares com o banqueiro cria grande embaraço para o Supremo. É inevitável a comparação com os julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro, no qual Moraes teve grande protagonismo e consolidou a tese do “conjunto da obra”, na qual indícios, vínculos indiretos e contextos ampliados foram utilizados para fundamentar condenações severas.
Não é o que ocorre no caso Master, no qual a exigência de provas estritamente objetivas de ilegalidade para qualquer avanço investigativo alimenta críticas e fragiliza a narrativa de imparcialidade, embora esse posicionamento “garantista” esteja lastreado no “devido processo legal”. Moraes está numa saia justa: sua participação em julgamentos relacionados ao caso pode ser juridicamente defensável, mas tem alto custo político para a Corte e para ele próprio.
Não por acaso, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria aconselhado o ministro a preservar sua biografia e se declarar impedido de julgar o caso. É que o problema já extrapolou os limites do debate técnico e compromete a legitimidade institucional, no contexto do grande mal-estar entre acadêmicos e juristas com o interminável inquérito das fake news.
Devido ao risco de o caso Master virar uma grande crise institucional, há grande convergência entre a Procuradoria-Geral da República, a maioria do STF e lideranças do Congresso de circunscrever e conter o avanço de apurações. Essa blindagem institucional visa proteger o establishment político do país, num ano eleitoral no qual a disputa pela Presidência está aberta, embora o presidente Lula seja candidato à reeleição. Em síntese, a distância entre legalidade e legitimidade só aumenta.




