
Durante a manifestação, um subtenente do Batalhão de Choque foi acusado de agredir fisicamente líderes dos alunos, incluindo tapas e socos. Parte do episódio foi registrada em vídeo por testemunhas e viralizou nas redes sociais.
A direção da unidade teria acionado a Polícia Militar contra a presença dos representantes das agremiações. Nas imagens, dois policiais aparecem interagindo com os alunos. Antes de iniciar as agressões, um deles diz que vai apreender os celulares e levar os representantes para a delegacia. Em seguida, o agente desfere tapas e socos contra dois jovens.
O ato foi convocado pelo grêmio da escola e contou com a participação de integrantes do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (DCE/UFRJ) e da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames Rio). De acordo com a Ames Rio, os representantes tinham autorização da Secretaria Estadual de Educação para participar da manifestação na escola, mas as agressões continuaram do lado de fora, com o uso de gás de pimenta e cassetetes.
“Fomos à escola para apoiar os alunos em um caso de assédio que estava abafado. Mesmo com autorização da Secretaria, a direção nos impediu de entrar e acionou a polícia. Fomos recebidos com agressões, e a tentativa de diálogo praticamente não existiu”, explicou Marissol Lopes, presidente da Ames Rio, em entrevista ao G1, que teve sua camiseta rasgada.
A Secretaria Estadual de Educação afirmou que não tinha conhecimento prévio do caso. Uma sindicância interna foi aberta para apurar denúncias de assédio sexual envolvendo duas alunas. Até ser afastado preventivamente, o professor continuava exercendo suas funções na escola, fato que a própria instituição reconheceu. O afastamento definitivo dependerá da conclusão da investigação e da oitiva de alunos, professores e demais testemunhas.
“Lamentamos o ocorrido e reforçamos que não compactuamos com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública. A Seeduc prestará todo apoio aos estudantes envolvidos e seus familiares. A direção da unidade acionou a Polícia Militar de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança e preservar um ambiente adequado ao diálogo. Reafirmamos nosso compromisso com um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade”, afirmou a Seeduc em nota.
Os estudantes registraram ocorrência contra os policiais por abuso de autoridade na 9ª DP (Catete). O subtenente acusado de agressão foi afastado pelo comando da corporação, que instaurou procedimento para investigar a conduta do agente.
“Diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens captadas na unidade de ensino, a Corregedoria-Geral instaurou procedimento para apurar a conduta do agente de maneira imediata. O militar já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Nesse contexto, o policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas. Reiteramos nosso compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de sempre apurar com atenção e transparência a conduta de nossos policiais em serviço”, informou a corporação.




