
Para boa parte do público, Ricardo Couto ainda é um nome pouco conhecido fora do meio jurídico. No Judiciário fluminense, porém, sua trajetória é longa. Segundo o perfil oficial do TJRJ, ele ingressou na magistratura em 1º de setembro de 1992, foi promovido a desembargador em 14 de fevereiro de 2008 e atualmente integra a 4ª Câmara de Direito Público.
A carreira foi construída em diferentes frentes da Justiça estadual. Antes de chegar ao tribunal, passou pela Vara de Família de São João de Meriti, pela 3ª Vara Cível de Niterói, pela Vara da Infância e Juventude de São Gonçalo e, já na capital, atuou em varas cíveis, criminal, fazendária e de família. Também foi juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça, integrou o Conselho da Magistratura em duas gestões e participou de quatro administrações do Fundo Especial do tribunal.
Na área acadêmica, o currículo também pesa. Ricardo Couto é formado em Direito pela Uerj, turma de 1987, tem pós-graduação pela Universidade de Coimbra, é professor da FGV e atua há décadas na Emerj, onde foi conselheiro em cinco gestões, professor palestrante desde 1992 e coordenador acadêmico de Direito Administrativo desde 2019.
O desembargador chegou ao comando do TJRJ no fim de 2024. Foi eleito presidente do tribunal para o biênio 2025-2026 com 116 votos, derrotando Luiz Zveiter, que recebeu 65. Na época, a própria Amaerj destacou que ele presidia a Mútua dos Magistrados desde 2021 e sucederia Ricardo Cardozo na chefia do Judiciário fluminense.
No discurso da eleição, adotou um tom de gestão participativa e técnica. “Agradeço a confiança depositada pelo Pleno à minha pessoa e me comprometo a fazer uma grande gestão, ouvindo a todos”, afirmou Ricardo Couto. A frase ajuda a resumir a imagem que ele cultiva dentro do tribunal: a de um magistrado mais associado à administração interna, ao funcionamento da máquina judiciária e ao perfil institucional do que à exposição política.
Esta não é a primeira vez que ele cruza a fronteira entre Judiciário e Executivo. No fim de janeiro e no início de fevereiro deste ano, durante viagem oficial de Cláudio Castro, Ricardo Couto já ocupou o posto de governador em exercício. Foi nessa condição que participou da abertura do ano legislativo de 2026 na Alerj, representando o Executivo fluminense e discursando no Palácio Tiradentes.
Agora, porém, o contexto é mais delicado. Ao contrário da substituição temporária do início do ano, a assunção desta segunda-feira acontece em meio à renúncia de Cláudio Castro, à vacância da vice-governadoria e ao processo que levará à escolha de um governador-tampão. Ricardo Couto entra no cargo como figura de transição, com a missão de conduzir o estado até a eleição indireta sem aprofundar a crise institucional. Veja como será a eleição indireta para governador do Rio de Janeiro.
Na prática, ele chega ao Palácio Guanabara com um perfil bem diferente do de políticos profissionais. Não vem de partido, não construiu carreira eleitoral e tampouco se projetou no debate público por embates ideológicos. É um nome do Judiciário, de fala comedida, trajetória técnica e forte inserção na estrutura interna do tribunal. Justamente por isso, sua passagem pelo governo interino tende a ser marcada menos por protagonismo político e mais por prudência institucional.
Fonte https://diariodorio.com/discreto-e-tecnico-quem-e-ricardo-couto-o-novo-governador-interino-do-rio/




