
A mudança repentina na coloração da água da Praia do Forte, em Cabo Frio, assustou moradores e turistas neste fim de semana. Conhecida pelo mar cristalino e pela faixa de areia branca, a praia apresentou trechos com tonalidade escura, após a chegada de grande quantidade de algas à beira-mar.
Diante da repercussão e de questionamentos nas redes sociais, o secretário de Meio Ambiente, Clima e Saneamento, Jailton Dias, esclareceu que o fenômeno é natural e não apresenta qualquer perigo aos banhistas. “Não há risco à saúde. É um fenômeno natural”, afirmou.
Segundo o biológo, o que ocorreu foi a chegada de algas arribadas, material orgânico desprendido do fundo do mar por conta da abrasão marinha, das correntes e da ressaca, especialmente em áreas de baixa profundidade.
De acordo com o secretário, a maioria das algas observadas é de coloração avermelhada, além de algumas verdes. O aspecto escuro da água se deve à concentração desse material na superfície e na faixa de areia.
Outro ponto que chamou a atenção foi o odor mais forte em alguns trechos. Jailton explicou que o cheiro semelhante ao de ovo é resultado da decomposição natural das algas, com liberação de gases como sulfeto, metano e gás carbônico. “É cheiro de matéria orgânica em decomposição. Não tem relação com poluição”, destacou.
Ele ressaltou ainda que a presença de animais se alimentando das algas funciona como bioindicador ambiental. “Os próprios animais estão ali consumindo esse material, o que demonstra que não há contaminação.”
Apesar de fazer parte do ciclo natural marinho, o secretário informou que será realizada a remoção mecânica do material por questão estética e de organização da orla. A orientação é que o recolhimento seja feito com cuidado, evitando a retirada de areia junto com as algas.
“Isso traz vida, recicla nutrientes e integra o ciclo biogeoquímico do ambiente. É a natureza agindo”, concluiu.
A área segue sob monitoramento ambiental, enquanto a limpeza pontual da faixa de areia deve ocorrer nos próximos dias.




