
Enzo Marcus e Renan Porto
Um dos policiais militares (PMs) presos na operação da Corregedoria da Polícia Militar deflagrada nesta quarta-feira (4/2) guardava mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo em casa. Ele é suspeito de fazer a segurança pessoal de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da empresa de transportes Transwolff, suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O nome do policial não foi revelado, mas o Metrópoles apurou que não se trata de Alexandre Paulino Viera, um dos agentes presos na operação. Ele guardava R$ 1.180.000 no imóvel.
PMs presos em operação
Ao todo, três policiais militares foram presos na operação desta quarta-feira (4/2), suspeitos de participarem efetivamente da gerência e execução de atividade de segurança pessoal e patrimonial de Pacheco. Além disso, os presos também cuidavam da escolta de Cícero de Oliveira, o Té, apontado como representante legal da Transwolff.
Um deles é o capitão Alexandre Paulino Vieira, comandante da Assessoria Militar da Câmara Municipal de Vereadores, em São Paulo. Além disso, o militar atuou como ajudante de ordens de Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Casa.
Em nota, a Câmara afirmou que apenas Vieira atuava na assessoria da PM na Casa e que é integrante da pasta desde outubro de 2014, atuando nas gestões de cinco presidentes.
Os outros dois policiais militares presos nunca foram servidores na Câmara.
A defesa do capitão Alexandre não foi localizada. O espaço está aberto para manifestação.
A Corregedoria informou que o serviço de segurança teria sido prestado entre os anos de 2020 e 2024, período investigado pela Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Militar, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Receita Federal.
Relembre
- Transwolff e a UpBus estão sob intervenção da gestão municipal de São Paulo desde abril de 2024, quando foram alvo da Operação Fim da Linha por vínculo com o PCC.
- O dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e o sócio da UpBus, Silvio Luís Ferreira, o Cebola, tiveram mandatos de prisão cumpridos em seus nomes durante a operação.
- Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, a Transwolff recebeu um aporte de R$ 54 milhões da facção criminosa, obtido com tráfico de drogas e outros delitos, para participar da licitação do transporte público na capital paulista.
- A Transwolff e a Upbus operam, respectivamente, as linhas de ônibus da zona sul e leste da cidade de São Paulo — e transportam, juntas, 700 mil passageiros na capital.
A operação desta quarta-feira cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, além dos três mandados de prisão temporária contra os militares.




